Bloody Murder! Estou na Mystery Weekly!


O filósofo estoico Epicteto tem uma máxima sobre a qual todo mundo deveria meditar pela manhã -- "o que, então, você gostaria de estar fazendo quando a morte o alcançar?" -- e creio que a minha resposta seria "planejando um assassinato perfeito". Não de verdade, claro, mas para compor um conto de mistério. E essa aplicação toda está rendendo frutos: meu conto Bull's Eye é um dos destaques da edição mais recente da revista canadense de literatura policial Mystery Weekly, já disponível para venda nas plataformas digitais.

Esta é a minha terceira história de mistério a sair numa publicação internacional, e a segunda escrita originalmente em inglês: antes já tinha sido publicado em Needle: a Magazine of Noir e (em tradução) na tradicionalíssima Ellery Queen Mystery Magazine (EQMM, para os íntimos). No início do ano, assinei contrato para uma segunda publicação na EQMM, e assim que souber quando deve sair, aviso aqui.

Quem me conhece como escritor provavelmente pensa em mim mais como autor de terror ou ficção científica, mas o mistério sempre foi uma praia em que queria entrar. Tenho um fascínio especial por histórias de crimes impossíveis, gente encontrada morta com uma facada nas costas num quarto trancado por dentro, e também pelo crime que se revela por um detalhe que é ao mesmo tempo crucialmente lógico e perfeitamente trivial. O que faz de mim muito mais fã de Ellery Queen (e Dashiell Hammett!) do que autores geralmente considerados mais literários, como Raymond Chandler.


Esse gosto especial pelo puzzle e pelo detalhe lógico talvez represente uma evolução do meu gosto mais geral por ficção científica hard (e digo evolução não no sentido lato de "melhoria", mas na acepção biológica de descendência com modificação, mesmo). Uma de minhas leituras mais satisfatórias dos últimos tempos foi The Mad Hatter Mystery, de John Dickson Carr, e podem cassar minha carteirinha de bom gosto, bom tom e boas práticas em literatura que não ligo.

Ah, sim: meu conto Bull's Eye trata de um homicídio "quase" impossível ocorrido em meio à eleição de reitor numa universidade pública brasileira não-nominada. Antes que alguém ache que o enredo tem algo a ver com a situação recente na universidade em que eu trabalhava, aviso que a história foi escrita anos atrás. A data da publicação é uma mera coincidência (mesmo: a editora canadense me mandou o contrato no fim de fevereiro).


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