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Mostrando postagens de Setembro 25, 2016

O zodíaco ataca novamente

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Não sei se vocês notaram, mas nas últimas semanas houve uma pequena celeuma nas redes sociais porque a Nasa teria "mudado o signo astrológico" das pessoas. Claro, isso é uma bobagem. Foi, na verdade, apenas mais uma das infindáveis "redescobertas" da existência de Serpentário, a décima-terceira constelação do zodíaco, e da precessão dos equinócios. Essa história de que existem 13 signos (14, na verdade, se contarmos o fragmento da constelação de Baleia) da faixa zodiacal, e de que a posição real das constelações no céu não bate com a dos mapas astrais, é uma das novidades mais antigas do mundo -- eu mesmo tratei do assunto numa das postagens inaugurais deste blog.

Por coincidência, enquanto a tal "polêmica" dos signos cumpria seu ciclo facebookiano de de estouro-e-sumiço, chegava aqui em casa a edição mais recente de Correlation, o "journal" da Associação Astrológica da Grã-Bretanha. Como expliquei numa postagem anterior,  assinei Correlation c…

Holograma de som

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Uma placa de plástico, fabricada por impressão 3D, mostrou-se capaz de modular ondas de ultrassom e produzir hologramas acústicos – campos sonoros complexos que podem ser usados para manipular e mover objetos na água ou no ar, de forma controlada. A placa é colocada diante do alto-falante que emite o ultrassom.

O desenvolvimento e o teste da placa são descritos na Nature. A técnica demonstrada foi capaz de produzir o desenho de uma “pomba da paz” a partir de partículas suspensas num líquido, e de manter uma gota d’água flutuando no ar. Os autores, de instituições alemãs, escrevem que o sistema é capaz de levitar objetos com uma densidade máxima comparável à do alumínio.

“Esperamos que, com transdutores maiores e mais potentes, será possível gerar imagens mais complexas e manipular objetos de densidades mais elevadas”, escrevem. “Transdutor” é o nome dado a aparelhos que convertem uma forma de energia em outra – no caso de alto-falantes, sinais elétricos em som. Esta nota faz parte da …

Os malucos e a estufa

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"É difícil fazer um homem compreender um fato quando seu salário depende de uma continuada incompreensão". A frase, do romancista americano Upton Sinclair (1878-1968) é repetida diversas vezes no livro The Madhouse Effect ("O Efeito Hospício", em tradução literal), escrito a quatro mãos pelo cientista Michael E. Mann e pelo cartunista Tom Toles. Mann, climatologista da Universidade Estadual da Pensilvânia, é um dos autores do histórico "paper" que apresentou a primeira versão do chamado "gráfico do taco de hockey", que mostra como as temperaturas médias globais dispararam ao longo do século 20:


Madhouse Effect -- o título é um trocadilho entre "madhouse" ("hospício") e "greenhouse" ("estufa") -- é uma mistura de divulgação científica e polêmica política em torno das disputas sobre o aquecimento global causado pela queima de combustíveis fósseis.

A parte sobre ciência é bem simples e esclarecedora. Mann e To…

Digital num fio de cabelo

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Fãs de livros, filmes e seriados policiais sabem que é impossível identificar um suspeito pelos fios de cabelo achados na cena do crime, a menos que eles tenham sido arrancados com a raiz, pois é nela que se encontra o DNA. Mas isso poderá mudar em breve: trabalho publicado no periódico PLoS ONE apresenta uma tecnologia que tem o potencial de inferir características únicas do DNA do suspeito a partir das proteínas que constituem o fio.

As técnicas de “impressão digital” genética se valem da identificação de polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs, ou “snips”, como são chamados em inglês), variações pontuais na sequência de bases que forma a molécula de DNA.


Os autores do novo trabalho, baseados nos Estados Unidos e no Reino Unido, notam que alguns SNPs, chamados SNPs não-sinônimos (nsSNPs) podem se traduzir em variações na composição de proteínas, incluindo as que vão formar o fio de cabelo. Essas variações, os polimorfismos de aminoácido único (SAPs), estão na base da nova técnica.

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