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Mostrando postagens de Junho 19, 2016

Dando as devidas proporções

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Imagino que os leitores habituais deste blog já estão mais ou menos familiarizados com o conceito de viés cognitivo -- filtros mentais e hábitos de pensamento que distorcem o modo como vemos e interpretamos a realidade. Os mais comumente citados são o viés de confirmação (dar importância desproporcional a eventos que parecem confirmar nossas crenças e preconceitos), a validação subjetiva (interpretar uma série de ocorrências não relacionadas como uma cadeia de eventos que confirma nossa visão particular do mundo) e o viés de disponibilidade (achar que nossa experiência pessoal, ou os exemplos que estão mais à mão, são verdadeiramente típicos e representativos da realidade em geral). Cada um deles traz sérios desafios à tarefa, quase sempre árdua, de pensar com clareza, e tem parcela razoável de responsabilidade por muita coisa lamentável no estado atual da civilização.

Mas a leitura de Suspicious Minds,  do psicólogo britânico Rob Brotherton, chamou minha atenção para um outro viés q…

Vestígio de um asteroide extinto

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Um meteorito de um tipo até agora desconhecido na Terra foi descoberto numa pedreira sueca, informa artigo publicado no periódico Nature Communications. A pedra espacial única foi encontrada num leito de onde também foram extraídos mais de 100 meteoritos de um tipo mais comum, os L-condritos. Os autores do trabalho, de instituições da Suécia e dos EUA, especulam que a rocha pode ser parte de um asteroide que colidiu com o corpo original de onde vieram os L-condritos, há cerca de 470 milhões de anos. “Este pode ser o primeiro exemplo documentado de um meteorito ‘extinto’, isto é, um tipo de meteorito que não cai mais na Terra porque seu corpo de origem foi consumido em colisões”, escrevem os pesquisadores. Esta e outras notas da ciência internacional você encontra no Telescópio do Jornal da Unicamp.

A mentira dos "2% de sobrevivência"

Meus contatos recentes com a subcultura das "terapias alternativas" para câncer andaram me expondo, seguidas vezes, à alegação de que a "quimioterapia tem uma taxa de sobrevivência de apenas 2%". Como costuma acontecer no reino das pseudociências, trata-se de uma frase de impacto mas cujo sentido exato, uma vez que se para para pensar a respeito, não é claro: o que essa "taxa de sobrevivência de 2%" quer dizer, afinal? Que as pessoas que entram em quimioterapia já se encontram tão à beira da morte que a intervenção quase não traz benefício? Que o tratamento quimioterápico é ridiculamente ineficaz? Que a quimioterapia em si mata 98% dos pacientes?

Seja qual for o sentido preciso que se procure atribuir à afirmação, ela é falsa. Mentirosa. Irresponsavelmente cruel. Eu, que já escrevi defendendo a liberação da autobiografia de Adolf Hitler, relutaria, por alguns instantes, em condenar a ideia de pôr na cadeia quem sai por aí repetindo esse tipo de coisa. Por…