sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Violência e Morte em Marte

Entre os anos de 1996 e 2013, produzi muito jornalismo sobre Marte. Muito. Da missão Sojourner, o primeiro jipe-robô a passear pelo planeta vermelho, aos "gêmeos" Spirit e Opportunity, o satélite Mars Reconnaissance Orbiter, a Phoenix (primeira sonda a encontrar água na superfície de Marte, com cientistas brasileiros na jogada, e sobre a qual escrevi uma reportagem um tanto quanto poética) ao atual robô Curiosity, passando pelos tristes fracassos da missão europeia Beagle, da americana Mars Polar Lander e de praticamente tudo o que a Rússia tentou em termos de exploração marciana, li e escrevi vários milhares de palavras a respeito, além de participar, por telefone ou e-mail, de entrevistas coletivas da Nasa e de falar com pesquisadores envolvidos.

Tudo isso, claro, algum dia ia acabar virando ficção, e embora minha "grande" história sobre Marte ainda esteja para ser escrita, o conto Lamento de Suas Mulheres, agora, encontra-se disponível para Kindle. Se bem me lembro, a história apareceu online em algum momento no início deste século, mas nunca cheguei a usá-la em nenhuma das antologias de que participei, nem a incluí-la em meus livros solo.

Você pode me chamar de oportunista por fazer essa publicação bem agora que o filme Perdido em Marte se prepara para estourar nas bilheterias, e eu provavelmente teria de escutar calado. Em minha defesa, no entanto, acrescento que histórias de engenhosidade humana versus ambientes hostis de outros mundos têm uma tradição forte na ficção científica, e se você curte esse tipo de coisa e lê em inglês, por favor corra atrás destes contos de Geoffrey Landis, já!

Assim como meu conto Diamante Truncado, Lamento é uma "produção independente" para a plataforma Kindle Direct Publishing, ou "KDP", para os íntimos. As capas ficaram parecidas -- numa foto do corpo do Sistema Solar onde a narrativa se passa, com o título sobreposto -- e estou imaginando se não seria divertido começar uma série exclusiva para KDP com um conto passado em cada astro do Sistema Solar que a Nasa já tenha fotografado de perto, incluindo luas, cometas e asteroides. Quem sabe? Cartas para a redação!

Como já disse antes, essas experiências com o KDP não significam uma rejeição aos canais de publicação tradicionais, e nem uma postura de confronto com o mundo editorial. A parte principal do meu catálogo de ficcionista continua na Editora Draco, e estou bem contente com isso.

Que mais posso dizer sobre Lamento? Muito pouco, acho, sem dar spoiler. Só acrescento que a epígrafe de Genghis Khan que abre o conto, e que a maioria das pessoas deve associar à versão abreviada que aparece no filme Conan, o Bárbaro, vem da biografia do conquistador mongol escrita pelo autor de fantasia histórica Harold Lamb, um cara que todo mundo devia conhecer.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Meninas querem diversão, não poder?

Esta é mais uma nota capturada do miolo da minha coluna Telescópio, no Jornal da Unicamp, que nesta semana também trata da edição genética de embriões humanos e da forma como neurônios se organizam para tomar decisões coletivas, entre outros assuntos.

Artigo assinado por três pesquisadoras da Harvard Business School, publicado no periódico PNAS, aponta a existência de “uma disparidade de gênero profunda e consistente nos objetivos de vida centrais das pessoas”, com mulheres vendo posições de mando e de poder como menos desejáveis.

Diz o artigo: “Em nove estudos, com mais de 4.000 participantes, descobrimos que, na comparação com os homens, as mulheres têm mais objetivos na vida, põem menos importância em objetivos relacionados ao poder, associam mais resultados negativos às posições de poder (como falta de tempo), veem posições de poder como menos desejáveis e tendem a aproveitar menos as oportunidades de progresso profissional”.

As autoras acrescentam que as mulheres “consideram as posições de alto nível tão acessíveis quanto os homens”, mas que enxergam menos vantagens em alcançá-las. “Nossas descobertas revelam que homens e mulheres têm percepções diversas sobre como será o exercício de uma posição de poder”. Dá para acessar a íntegra do artigo neste link.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Eu na TV: ciência, saúde, ética jornalística e falta de

Na última semana, tive uma passagem rapidíssima pelo Rio de Janeiro para participar de um bate-papo no Canal Saúde, da Fiocruz, sobre divulgação científica, jornalismo científico e o estado atual dessas coisas no Brasil. Foi uma conversa de uma hora, o que é um tempo quase interminável em termos de vídeo -- ao menos para quem assiste -- mas que para mim ficou até meio curto, já que a conversa estava ótima. Falei sobre o "chocolate emagrecedor" de John Bohannon, o imorredouro "caso boimate", o apelo do sensacionalismo e a "ciência" das revistas de estética e boa forma. Você pode conferir o programa aqui.