segunda-feira, 22 de junho de 2015

O fim do "Olhar Cético" na Galileu: só mais duas colunas

A coluna Olhar Cético, que eu vinha produzindo para o site da revista Galileu desde, se não me engano, agosto de 2013, deixa de ser publicada a partir de julho. Há um texto que deve entrar no ar hoje, um artigo final que sobe na próxima segunda-feira, dia 29, e c'est fini. O motivo, informam-me, é contenção de despesas; há a possibilidade de uma retomada dentro de alguns meses, mas é apenas isso, uma possibilidade.

Pelas minhas contas, a coluna de 29 de junho será a de número 99. Minha pasta Dropbox de textos para a Galileu contém 113 arquivos, mas descontando as reportagens que produzi parta a revista, principalmente entre 2013 e 2014, os rascunhos dos artigos e os textos começados mas não terminados, creio que restam uns 99, talvez pouco mais, que realmente saíram sob a rubrica do Olhar Cético, inicialmente no papel e na web e, depois, apenas online.

Minha inspiração original para a coluna sempre foi o trabalho original de Martin Gardner (e, depois, Michael Shermer)  para a edição-matriz da Scientific American, além das investigações conduzidas ao longo de décadas por Joe Nickell e reunidas em diversos livros.

Não fui um pioneiro desse tipo de atividade no Brasil: durante muito tempo, Kentaro Mori carregou a tocha do ceticismo nacional praticamente sozinho, e creio que o pessoal do Ácido Cético, da UFRGS, já estava na estrada bem antes de eu assinar meu primeiro texto jornalístico de ceticismo -- uma crítica da astrologia (será que todo cético começa assim?), publicada no antigo website da Agência Estado, mais anos atrás do que eu gostaria de me lembrar. O jornalista Ricardo Bonalume Neto chegou a manter uma coluna de ceticismo na Revista da Folha, no começo do século. Isso sem falar na velha Sociedade da Terra Redonda, entre outras iniciativas.

 Quando surgiu, a coluna da Galileu veio como a realização de uma ambição pessoal antiga. Imagino que todas as pessoas que têm um emprego menos do que satisfatório, mas aparentemente seguro e bem remunerado -- no meu caso, o de editor de Ciência e Meio Ambiente do Portal Estadão --, sonham com o que fariam se um dia tivessem um bom pretexto para se livrar dele.

No meu caso, o pretexto veio sob a forma de uma demissão por corte de gastos, em 2010, e a primeira coisa que fiz foi escrever um livro de divulgação científica de orientação cética, O Livro dos Milagres, e co-escrever outro, o Pura Picaretagem.

O convite para colaborar com a Galileu veio mais ou menos na mesma época em que o Picaretagem estava saindo. As coisas pareciam promissoras para uma iniciativa jornalística profissional de ceticismo científico ("profissional" no sentido de remunerado, e em oposição a voluntário, não necessariamente a amador) na mídia mainstream, mas enfim, a economia brasileira sendo o que é, "promissor" é um conceito bem relativo.

Com o fim da coluna, é provável que parte do material que eu vinha reunindo para edições futuras acabe aparecendo neste blog. Ou que eu resolva usar o tempo livre para finalmente levar adiante meu terceiro livro de divulgação e ceticismo, agora sobre fenômenos espiritualistas (estou parado no meio do capítulo sobre Leonora Piper, tentando decidir quanto espaço devo dedicar a Madame Blavatsky e reunindo ânimo para seguir adiante e mergulhar no século 20). Ou para escrever mais ficção.

A coluna do dia 29 trará uma breve nota de despedida e agradecimento, que reitero aqui. Obrigado a quem acompanhou ao menos parte daquela quase-centena de textos. E até mais!