sexta-feira, 29 de maio de 2015

Tudo é divulgação científica!

O título acima, em toda a sua glória bombástica, foi a linha-mestra que norteou minha apresentação no Simpósio de Biodiversidade (SIMBIO) do campus de Rio Paranaíba da Universidade Federal de Viçosa. Participei de uma mesa sobre Divulgação Científica ao lado de Átila Iamarino e  Luiz Bento. Eu era o cara mais velho da mesa e o único sem PhD, duas constatações que  me puseram a pensar no que, exatamente, andei fazendo com a minha vida nos últimos 20 anos.

Átila, com sua experiência no Scienceblogs Brasil e no Nerdologia, e Luiz, também do Scienceblogs Brasil e do Museu Ciência e Vida, falaram mais sob a perspectiva do cientista que se propõe a estabelecer um canal de comunicação com o público, que público é esse, como fazer isso, quais as armadilhas que se encontram pelo caminho e por que isso é legal.

Já a minha apresentação, temo, foi um pouco mais evangelizadora -- ou diria eu, estridente? -- no seguinte sentido: tentei incutir, na plateia de estudantes e futuros pesquisadores, a ideia de que, se você é cientista e cidadão, você tem que se envolver com o público. Tipo, assim, dever sagrado. E isso por uma série de motivos (no fim e ao cabo, nas democracias é o público quem decide para onde o dinheiro vai, e se o público não sabe o que você faz, vai acabar preferindo pagar pelo show do Luan Santana na inauguração do coreto a sustentar o seu estudo sobre o sexo das mariposas), mas o principal: tudo é divulgação científica.

E que cazzo esse slogan maluco quer dizer, afinal? Meu ponto era o seguinte: na democracia moderna, não há uma única questão relevante no debate público que não possa ser iluminada por uma perspectiva científica. Isso vai desde não-debates (isto é, questões que, em nome da mais comezinha honestidade intelectual nem deveriam mais estar sendo discutidas, como a realidade do aquecimento global ou a conveniência da adoção por casais homossexuais) a debates reais (sistema de votação, maioridade penal, papel do Estado na economia).

Veja bem, não se trata de preconizar uma ditadura tecnocrática: é apenas contribuir para o debate, seja com o conhecimento produzido, seja com a perspectiva científica -- de pedir evidências, de duvidar de conclusões convenientes demais que surgem muito depressa, de detectar vieses, criticar consensos.

Bom, tudo isso aí em cima foi para dizer que a mesa de Divulgação Científica do SIMBIO foi gravada e virou mais um episódio do podcast Rock com Ciência. Que você pode ouvir aqui!

(Numa nota mais pessoal, foi emocionante ver tanta gente com pilhas de livros para eu autografar, entre meus trabalhos de ficção e de divulgação. Encontrar leitores é sempre ótimo!)

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Os números não mentem

Muitos anos atrás, militando no jornalismo diário, conheci um editor que era profundamente alérgico a estatísticas. “Se um rico come um frango inteiro, e um pobre não come nada”, argumentava ele, “estatisticamente, cada um comeu meio frango!”. O importante, insistia, eram as histórias humanas: mais relevante que a média dos frangos era a dura vida do sujeito sem frango nenhum. Mas mesmo sabendo que estatísticas podem ser (mal) usadas, sempre desconfiei mais de seu oposto: exatamente das tais histórias “humanas” que o editor preferia. Leia a coluna completa na Revista Galileu.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Sherlock Holmes e rock'n'roll!

Semana passada, participei de um evento sobre divulgação científica no campus de Rio Paranaíba da Universidade Federal de Viçosa. Ao lado dos biólogos Átila "Nerdologia" Iamarino e Luiz Bernto, do Museu Ciência e Vida, falei sobre a importância dos cientistas não se furtarem a usar, não só seus conhecimentos, mas também o senso crítico afiado pelo uso constante do método científico, para contribuir com o debate público. Meu grito de guerra foi "Tudo é divulgação científica!", algo que pretendo explicar melhor numa postagem futura.

Esta aqui é para tratar de outra coisa que fiz em Rio Paranaíba. Quem está por dentro da cultura dos podcasts nacionais talvez saiba que a UFV de Rio Paranaíba é também a sede do Rock com Ciência, programa capitaneado pelo professor Rubens Pazza que discute temas científicos ou culturais que, de algum modo, têm interseção com a ciência, num papo entremeado por faixas musicais de rock'n'roll. Eu já havia participado, via skype, de outras edições do programa, mas desta vez estive lá ao vivo -- falando de Sherlock Holmes.

Talvez nem os leitores mais assíduos do blog saibam, mas sou uma espécie de sherlockiano -- um, digamos, pesquisador, colecionador e estudioso da vida e obra do Grande Detetive -- bissexto. Já tive um paper publicado no Baker Street Journal, o principal periódico dedicado a Holmes, e ajudei a editar um livro de contos inspirados por Sherlock para a Editora Draco. No podcast, falamos das origens do personagem, suas adaptações para o cinema, teatro e a televisão, e a vida e a obra de Sir Arthur Conan Doyle. Quem quiser conferir -- e saber quais as músicas que pedi, como convidado do programa -- o Rock com Ciência: Sherlock Holmes está aqui.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Lendo intenções diretamente no cérebro

Pesquisadores ligados à Universidade do Sul da Califórnia e ao Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) descrevem, na revista Science, como um implante de eletrodos no cérebro de um paciente tetraplégico registrou as intenções de movimento do voluntário, e transferiu essa informação para um braço robótico. Leia a nota completa, e outras, no Telescópio do Jornal da Unicamp.