quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Tocamos um cometa

Hoje, ma espécie humana, por meio de um robô construído na Europa, tocou, suavemente, a superfície de um cometa. Não foi uma colisão: foi um carinho. Durante milênios os cometas foram vistos como presságio de catástrofe, mas hoje nossa espécie, talvez tentando demonstrar uma maturidade ainda incipiente, se aproximou de um deles com ternura.

Não vou me estender aqui sobre o colossal esforço técnico, científico e intelectual por trás disso; nem vou gastar muito tempo lembrando que foi nossa ciência, tão assumidamente falível e, por isso mesmo, tão poderosa, que fez com que, após uma viagem de mais de dez anos, uma partícula de matéria em movimento chegasse exatamente onde deveria, sem intervenção humana direta, na superfície de outra partícula, viajando ao redor do Sol numa velocidade estonteante.

Em vez disso, deixo aqui uma foto -- a imagem da superfície de um cometa -- e alguns versos de Jorge Luis Borges, compostos a respeito de um feito semelhante:

Dos hombres caminaron por la luna.
Otros después. ¿Qué puede la palabra,
Que puede lo que el arte sueña y labra,
Ante su real e casi irreal fortuna?
Ebrios de horror divino y de aventura, 
Esos hijos de Whitman han pisado
El páramo lunar, el inviolado
Orbe que, antes de Adán, pasa y perdura.  

Hoje, graças à internet, os "ébrios de horror divino e de aventura" somos todos nós. Abaixo, o orbe inviolado que, desde antes de Adão, passa e perdura, e que tocamos neste dia:




Programação Neurolinguística vs. Ciência

É difícil definir “Programação Neurolinguística” (PNL). O sistema original de terapia e autoajuda a adotar o nome foi criado, na década de 70, pelo linguista John Grinder e pelo psicólogo Richard Blander, nos Estados Unidos. Eles propunham que deveria ser possível reproduzir o sucesso de figuras eminentes a partir da imitação do modo de falar, pensar e agir dessas pessoas. Indo um pouco mais fundo, Grinder e Blander acreditavam ter descoberto uma espécie de “linguagem de programação” mental: de acordo com eles, certos modos de comunicação permitiriam ajustar a mente para a obtenção de resultados desejados, sejam eles terapêuticos, econômicos, etc. Em outras palavras, a linguagem – oral, corporal, etc. – “programa” o cérebro. Leia o artigo completo no Olhar Cético.