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Mostrando postagens de Fevereiro 9, 2014

Tá tudo bem não entender o que se passa

"It is okay to say 'I don't know' " é uma frase fácil de se encontrar em depoimentos de cientistas. Ela reflete o que talvez seja a tensão fundamental do temperamento científico -- a coexistência de uma profunda curiosidade e de uma alta capacidade de tolerar incertezas. É normal não entender o que está acontecendo. É melhor saber que não se sabe do que sustentar um falso diagnóstico.

O problema é que conviver com a incerteza agride o que talvez seja um dos impulsos humanos mais fundamentais, a necessidade de controle. Não necessariamente controle dos outros, mas controle das nossas circunstâncias: onde estamos, quem somos, o que podemos esperar do ambiente que nos cerca. Se esses controles fundamentais vão embora, a sensação de segurança desce o ralo e a tentação de fazer besteira atinge níveis insuportáveis.

"Fazer besteira", no caso, é uma categoria de amplo espectro: pode ser pegar um fuzil e tomar uma meia dúzia de reféns, mas não precisa chegar a …

Feliz Dia de Darwin!

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Hoje é o dia em que se celebra o aniversário de Charles Darwin, comemorado internacionalmente como Darwin Day. Já que o Brasil vive, no momento, uma ofensiva de marketing que busca dar um verniz de respeitabilidade intelectual à tese criacionista -- e que faz isso atacando a evolução, já que o criacionismo, em si, não tem nada de positivo a oferecer -- nada melhor que aproveitar a data para esclarecer alguns pontos que muitas vezes são obscurecidos, não raro de modo proposital, nos debates populares sobre o assunto.

Vou tratar de uma questão bem específica, e bem básica, aqui: o conceito mesmo de evolução. No linguajar comum, a palavra muitas vezes é usada como sinônimo de desenvolvimento, uma mudança gradual para um estado melhor, mais complexo, mais bem-acabado.

Evolução biológica, no entanto, não tem nada a ver, necessariamente, com essa acepção positiva de desenvolvimento: dependendo das pressões do ambiente, espécies podem perder em complexidade e sofisticação, como parece ter a…

Resenha de uma história da cientologia

"A imagem dos profetas fundadores de religiões parece melhorar com a distância. Zoroastro e Moisés são quase universalmente reverenciados como grandes sábios; Jesus e Maomé, que chegaram mais tarde, têm lá seus críticos ferozes, mas no geral comandam amplo respeito – em certas partes do mundo, de fato, é crime falar mal dessas augustas personagens. Já Joseph Smith, que fundou o mormonismo no século 19, não é levado a sério por ninguém de fora de sua igreja..." Assim começa minha resenha do livro "A Prisão da Fé", uma história da Igreja da Cientologia, publicada no site Amálgama.