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Mostrando postagens de 2014

Prever tragédias é um bom negócio

Prever tragédias é, apesar das aparências em contrário, um negócio relativamente seguro. Se elas se concretizam, você acertou; se não, foi porque as pessoas levaram seu aviso a sério e tomaram medidas preventivas. Medidas essas que podem ser qualquer coisa, de salvaguardas tecnológicas a círculos de oração, “energia positiva”, exorcismos. (Leia o artigo completo no Olhar Cético)

Anuário de Literatura Fantástica: balanço da década

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Saiu, ou está prestes a sair, a edição de 2014, referente a 2013, do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica. Dizem-me que esta edição será a derradeira, e que fará um balanço da última década da produção de literatura de fantasia, terror e ficção científica no Brasil. 
Os editores do Anuário, Marcello Simão Branco e César R.T. Silva, são velhos amigos da era pré-internet. Fomos durante algum tempo, parceiros numa empreitada editorial, a Editora Ano-Luz, e numa das primeiras edições do anuário ambos chegaram a me entrevistar como "personalidade do ano", por conta do lançamento da primeira edição de minha coletânea Tempos de Fúria, cujos contos estão hoje disponíveis em formato e-book.
Será uma pena se essa for mesmo a edição final, mas a ideia de um balanço da década é muito interessante -- em 2004 ainda estávamos longe, por exemplo, do boom mercadológico da fantasia "made in Brazil" e do advento do marketing agressivo do livro eletrônico (o Kindle data de 200…

Honestidade em teste

Três economistas da Universidade de Zurique publicam, na revista Nature, um experimento realizado para testar a hipótese de que os grandes bancos internacionais fomentam, entre seus funcionários, uma “cultura de desonestidade” que teria sido uma das causas da grave crise econômica desencadeada em 2008, e descobriram que os bancários de uma grande firma internacional não são mais desonestos que a população em geral – exceto quando se lembram de que são bancários. Leia a nota completa no Telescópio.

Para que serve "água alcalina"?

Há algum tempo, houve uma certa movimentação nas redes sociais aqui no Brasil para promover os supostos benefícios para a saúde humana da chamada “água alcalina”, o que mais uma vez vem a mostrar que basta uma moda de estilo de vida começar a ser desacreditada lá fora para que se tente exportá-la aqui para o Brasil. Leia mais sobre os (inexistentes) benefícios desse produto no Olhar Cético.

A volta do Telescópio!

Depois de um mês de férias, minha coluna Telescópio volta a sair no Jornal da Unicamp. A desta semana tem, entre outras, a seguinte nota:

Análise da Wikipedia prevê epidemias

Cada vez mais pessoas buscam informações sobre doenças na internet antes de procurar ou obter atendimento médico, o que faz com que uma análise das estatísticas de acesso à Wikipedia possa detectar uma epidemia antes que ela seja registrada pelas autoridades sanitárias, diz artigo publicado no periódico "PLoS Computational Biology". (Leia o restante da nota, e as demais, neste link)

Tocamos um cometa

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Hoje, ma espécie humana, por meio de um robô construído na Europa, tocou, suavemente, a superfície de um cometa. Não foi uma colisão: foi um carinho. Durante milênios os cometas foram vistos como presságio de catástrofe, mas hoje nossa espécie, talvez tentando demonstrar uma maturidade ainda incipiente, se aproximou de um deles com ternura.

Não vou me estender aqui sobre o colossal esforço técnico, científico e intelectual por trás disso; nem vou gastar muito tempo lembrando que foi nossa ciência, tão assumidamente falível e, por isso mesmo, tão poderosa, que fez com que, após uma viagem de mais de dez anos, uma partícula de matéria em movimento chegasse exatamente onde deveria, sem intervenção humana direta, na superfície de outra partícula, viajando ao redor do Sol numa velocidade estonteante.

Em vez disso, deixo aqui uma foto -- a imagem da superfície de um cometa -- e alguns versos de Jorge Luis Borges, compostos a respeito de um feito semelhante:

Dos hombres caminaron por la luna.

Programação Neurolinguística vs. Ciência

É difícil definir “Programação Neurolinguística” (PNL). O sistema original de terapia e autoajuda a adotar o nome foi criado, na década de 70, pelo linguista John Grinder e pelo psicólogo Richard Blander, nos Estados Unidos. Eles propunham que deveria ser possível reproduzir o sucesso de figuras eminentes a partir da imitação do modo de falar, pensar e agir dessas pessoas. Indo um pouco mais fundo, Grinder e Blander acreditavam ter descoberto uma espécie de “linguagem de programação” mental: de acordo com eles, certos modos de comunicação permitiriam ajustar a mente para a obtenção de resultados desejados, sejam eles terapêuticos, econômicos, etc. Em outras palavras, a linguagem – oral, corporal, etc. – “programa” o cérebro. Leia o artigo completo no Olhar Cético.

Bruxaria para fazer chover

Até algum tempo atrás, o escritor Paulo Coelho volta e meia dizia que, entre seus poderes mágicos, estava o de fazer chover. No entanto, em entrevista concedida à revista Veja, em 2001, o esotérico da Academia Brasileira de Letras mostrava-se bem mais blasé quanto à habilidade de manipular do clima: “Esse negócio de fazer chover, por exemplo. Pô, o que que isso vai me ajudar?”, disse ele, conforme registrado aqui. Imagino que seria de se esperar que, diante da atual crise hídrica que assola São Paulo – e que vai tomando conta do país – Coelho adotasse uma postura menos egocêntrica em mais afinada com o espírito público. Leia o artigo completo no Olhar Cético.

Afinal, faz diferença dizer "presidenta"?

Você acha que chamar uma mulher que exerce um cargo de presidência de “presidenta” ajuda a combater o machismo? Ou que o fato de o português usar a forma masculina de modo inclusivo (“todos” pode se referir a um grupo de homens ou a um grupo de homens e mulheres; “todas” refere-se apenas a mulheres) torna, de algum modo, a cultura lusófona especialmente discriminatória contra o sexo feminino? Se for esse o caso, você talvez esteja sofrendo de “whorfianismo”, nome dado à hipótese defendida pelo linguista Benjamin Lee Whorf (1897-1941). Leia mais no Olhar Cético.

Lovecraft, uma vida

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Consumidos quase dois terços de minhas férias, finalmente chego ao fim de HP Lovecraft: A Life, catatau de mais de 600 páginas em letra miúda e entrelinha mínima, escrito pelo crítico literário S.T. Joshi e considerado o melhor livro disponível sobre a vida e o trabalho do escritor americano Howard Philips Lovecraft (1890-1937). Joshi tem sido, nas últimas décadas, o principal campeão do resgate do valor literário da obra de Lovevraft, em oposição ao valor meramente histórico -- como pai do terror moderno, ou inventor do tropo do "deus alienígena" --, que parece ser o único que boa parte da crítica, depois das análises demolidoras produzidas por figuras como Edmund Wilson e Colin Wilson, estava disposta a reconhecer, pelo menos até os anos 70 do século passado.

Joshi não se furta a reconhecer que muito da obra de Lovecraft sofre da doença "pulp"da "prosa púrpura" -- texto melodramático, excessivamente adjetivado -- mas insiste que Lovecraft era "sen…

Conversa ao redor da fogueira

O domínio do fogo abriu espaço para novos tipos de interação social, permitindo que os membros de comunidades pré-históricas contassem histórias e conversassem sobre assuntos não relacionados às necessidades imediatas do grupo, sugere estudo feito por uma antropóloga americana entre bosquímanos do Kalahari, na África, e publicado no periódico PNAS. Além de analisar os hábitos dos bosquímanos, o artigo traz uma provocação para as sociedades industrializadas: “Fica aberta a questão de o que acontece quando o tempo economicamente improdutivo, à luz da fogueira, se transforma em tempo produtivo, sob luz artificial”. Leia mais sobre este assunto, e outros, no Telescópio.

Discurso de Ódio versus Discurso Perigoso

O bafafá em torno das declarações escrotas de um Candidato Tabajara Hilóbata Ululante  Lamacento Homofóbico Ultrajante (C.T.H.U.L.H.U.) sobre união gay e direitos dos homossexuais trouxe à tona um debate sobre discurso de ódio, censura, a conveniência e a ética de se punir/coibir/tolerar certos tipos de exercício da liberdade de expressão. Como este blog tem uma posição libertária forte nesse tipo de questão, achei legal dar uns pitacos.

Uma distinção conceitual que me parece fazer sentido, que vem aparecendo no debate acadêmico a respeito e que parece meio borrada na discussão pública atual é a que se pode fazer entre "discurso de ódio" e "discurso perigoso". Discurso de ódio é todo discurso que busca apequenar pessoas simplesmente porque elas fazem parte de um dado grupo. Já discurso perigoso é todo discurso de ódio que tem uma probabilidade razoável que levar à violência contra o grupo ofendido.

A distinção é importante porque, embora todo discurso de ódio seja,…

"Magia ao Luar": bom filme, mau cético

Acrítica tem sido meio rabugenta com o filme “Magia ao Luar”, de Woody Allen. Não sen trata, claramente, de uma obra-prima, mas ainda assim é um belo trabalho: simpático, leve e divertido. E, no que é de interesse especial para este blog, protagonizado por um cético combativo, um mágico de palco interpretado pelo grande ator britânico Colin Firth. Leia mais sobre o filme, sua inspiração em personagens reais e seu cético problemático no site da Galileu.

O grande experimento transgênico

Nos últimos 19 anos, a proporção da ração animal consumida pelo gado e pelas aves de corte nos Estados Unidos que é composta por material geneticamente modificado passou de 0% para mais de 90%, com bilhões de animais alimentados a cada ano. Um estudo publicado no periódico Journal of Animal Sciencecomparou os registros sobre saúde do gado e dos frangos antes e depois da introdução dos transgênicos, e não encontrou nenhuma diferença relevante. Leia mais sobre esse assunto, e também sobre a violência dos chimpanzés e a censura sofrida por cientistas no Canadá, no Telescópio.

Complexidade "irredutível"

"Nunca consegui entender", disse Mr. Pond, "como uma mudança que deveria ter ajudado um animal, se acontecesse depressa, pode ajudá- lo se acontece devagar. E se acontece em seu tataraneto, muito depois de passada a hora de o animal ter morrido sem sequer deixar netos. Poderia ser uma vantagem se eu tivesse três pernas, digamos, para me apoiar em duas enquanto chuto um burocrata com a terceira. Poderia ser melhor se eu tivesse três pernas; mas não seria melhor se eu tivesse apenas uma perna rudimentar (...) até que seja longa o bastante para correr ou escalar, a perna seria apenas um peso extra".
Este é, numa versão usada pelo escritor G.K. Chesterton (1874-1936), o argumento criacionista da "complexidade irredutível". Entenda por que ele não funciona, no Olhar Cético da Revista Galileu.

Jack, o Estripador? Devagar com o andor!

Teste de DNA revela identidade de Jack, o Estripador! Ao menos, foi o que disse o jornal britânico Daily Mail na semana passada. De acordo com a reportagem do Mail, um xale encontrado junto ao corpo de uma das vítimas do mítico assassino, Catherine Eddowes, continha material genético tanto da mulher quanto do suposto criminoso, identificado como o cabeleireiro polonês Aaron Kosminski. O que dizer da revelação do Mail? A seu favor, há o fato de que Eddowes é uma das chamadas “cinco canônicas”, as cinco mulheres, mortas entre agosto e novembro de 1888, cujos assassinatos foram, muito provavelmente, cometidos pelo mesmo serial killer. Mas também há muito espaço para ceticismo. Leia mais no Olhar Cético do site Galileu.

Dieta e mudança climática

O carbono emitido na produção de alimentos para consumo humano deve superar as metas de liberação de gases causadores do efeito estufa até 2050, diz artigo publicado no periódico Nature Climate Change. “Estudos recentes mostram que as tendências atuais de aumento da produtividade não bastarão para atender à demanda global de alimentos prevista para 2050, e sugerem que uma expansão maior da área agrícola será necessária”, escrevem os autores, da Universidade de Cambridge. “No entanto, a agricultura é o principal motor da perda de biodiversidade e um grande contribuinte da poluição e da mudança climática, logo uma maior expansão é indesejável”. Leia mais sobre este assunto, e outros, na coluna Telescópio do Jornal da Unicamp.

ETs, balões e as linas de Nasca

Ventos fortes e tempestades de areia num deserto do sul do Peru revelaram novas figuras junto às famosas Linhas de Nasca, informa a imprensa peruana e internacional. Essas linhas dão forma a desenhos gigantescos, deixados no solo desértico por culturas que habitaram a região ao longo de séculos, num período que terminou cerca de mil anos antes da chegada dos europeus às Américas. As figuras são contornos de animais, plantas e formas geométricas. Entre as novas imagens reveladas, há uma serpente de cerca de 60 metros de comprimento. Leia o artigo completo no Olhar Cético do site da Galileu.

A religião do(a) presidente(a)

Quem acompanha o blog há mais tempo já deve estar com o saco cheio de me ver fazer copy-paste do discurso de John F. Kennedy sobre a separação entre igreja e Estado, mas dada a temperatura e a direção do debate eleitoral, eu me vejo obrigado a repeti-lo.

O contexto do discurso: em 1960, Kennedy era um católico com chances reais de se tornar presidente dos Estados Unidos, algo que alarmava os líderes de igrejas protestantes, e parte da população. Havia um certo folclore, na mente anglo-saxã, de que um governante católico seria um títere do Vaticano, um interventor governando em nome do papa, uma violação, portanto, da soberania nacional (esse medo atávico se reflete na lei britânica que proíbe um católico de assumir o trono do Reino Unido; e, por mais que o temor nos pareça infundado hoje em dia, lembremo-nos de que o Brasil precisou esperar surgir um presidente -- um ditador, na verdade -- luterano antes de ver aprovada a lei do divórcio).
Kennedy tinha motivos mais do que óbvios para…

Vitaminas, anfetaminas e o valor de pi

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O caso da proibição-liberação das anfetaminas e da sibutramina no Brasil desencadeou uma discussão sobre o papel do Estado na regulação do mercado de drogas e medicamentos. Seguindo o exemplo dado pelos Estados Unidos, hoje em dia as autoridades de várias partes do mundo, incluindo o Brasil, exigem, primeiro, que o fabricante que pretende lançar uma nova droga revele do que ela é feita; em seguida, que ofereça prova científica de que o medicamento é seguro; por fim, de que realmente funciona contra a doença ou condição que pretende combater. Há algumas exceções a esses princípios, principalmente em relação ao último, no que diz respeito a suplementos alimentares, vitaminas e medicamentos homeopáticos mas, no geral, a regra é essa.

Por razões óbvias, os governos que seguem esses princípios estabelecem órgãos próprios para avaliar se as provas de segurança e eficácia oferecidas pelos fabricantes são válidas, já que esse tipo de decisão requer uma competência técnica  que não está presen…

Ecologia complexa, ciências sociais enviseadas

Os estudos científicos sobre ecologia – que tratam da interação dos seres vivos entre si e com o ambiente – vêm se tornando cada vez mais complexos e detalhados, mas seu poder explicativo está ficando cada vez menor, afirma um artigo publicado no periódico Frontiers in Ecology and the Environment. No front das humanidades, levantamento de 221 estudos de ciências sociais de reconhecida qualidade, publicados nos Estados Unidos, mostrou que os trabalhos apresentando resultados positivos – isto é, onde a hipótese proposta pelo pesquisador acaba confirmada pelos dados – têm 40% mais chance de serem publicados, e 60% mais chance de sequer chegarem a ser redigidos. Leia mais sobre essas duas questões na coluna Telescópio do Jornal da Unicamp.

Bruxaria, carisma e conto do vigário

Uma edição recente da revista britânica Fortean Times, que se dedica a colecionar casos bizarros e notícias insólitas, traz duas páginas dedicadas a casos de fraude cometida por “bruxaria”. A história de maior destaque trata de Juliette D’Souza, que extraiu de suas vítimas 1 milhão de libras – quase quatro milhões de reais – prometendo oferecer a soma em “sacrifício” para uma árvore mágica na Amazônia. O dinheiro foi usado por Juliette, que se apresentava como “xamã”, para, entre outras coisas, comprar bolsas Louis Vuitton e imóveis em Londres. (Leia o artigo completo no site da Revista Galileu)

Futebol na Arkham paulista

Quando comecei a escrever terror, ou weird fiction, como se prefira chamar as histórias reunidas em meu livro Medo, Mistério e Morte, de 1996, hoje disponíveis individualmente em e-book (por exemplo, aqui, aqui e aqui), eu estava vivendo uma espécie de choque cultural reverso: depois de cinco anos morado, estudando e -- mal-e-mal -- trabalhando em São Paulo, voltava para minha terra natal no interior, defenestrado da capital pelo caos econômico dos estertores do governo Collor.

A meia década vivida na capital tinha afiado meu olhar crítico para com as mazelas e peculiaridades da província; e a intimidade crescente com a obra de H.P. Lovecraft me deixara familiarizado com o conceito de geografia imaginária, regiões fictícias de contorno verossímil, reconhecíveis como filhas e parcelas de uma área de existência real -- no caso lovecraftiano, a cidade fictícia de Arkham, firmemente enraizada na Nova Inglaterra -- mas criadas para a fantasia.

Daí nascia a região de Açaraí, que inclui essa…

Profecia e política: parceria antiga

Dos tempos do Oráculo de Delfos, passando pelo atentado contra Ronald Reagan e à morte de Eduardo Campos, política e previsão sempre andaram juntas -- e as profecias sobre tragédias e políticos têm, todas, alguns elementos em comum. Saiba mais sobre isso no Olhar Cético da Revista Galileu.

Quiropraxia: religião,negócio ou medicina?

A quiropraxia nasceu em 18 de setembro de 1895, quando seu criador, o canadense radicado nos EUA Daniel David Palmer, supostamente curou um homem de surdez, pondo uma vértebra deslocada no lugar. Palmer convenceu-se de que “95% de todas as doenças são causadas por vértebras deslocadas”. Leia o artigo completo no site da revista Galileu.

O fim do "cientista maluco"

A figura do “cientista maluco” está desaparecendo do cinema e da literatura, mesmo depois de ter sido, durante o século 20, a forma dominante de representação do pesquisador no imaginário popular, diz artigo publicado, em junho, no periódico Public Understanding of Science. A autora, Roslynn D. Haynes, faz um histórico da estigmatização, no folclore e na cultura popular, do buscador de conhecimento – dos mitos bíblicos e gregos, passando pelo alquimista medieval e chegando ao cientista – e associa o fenômeno a “um medo profundo do poder que não pode ser conquistado ou destruído pelas armas, decretos religiosos ou outros meios tradicionais”. Esse medo, argumenta ela, leva à reação típica da cultura contra os poderosos: subversão por meio da caricatura ou da vilificação. Leia mais sobre este assunto, e outros, na coluna Telescópio.

Usando 100% do cérebro

Isto talvez seja uma má notícia, mas as pessoas já usam 100% do cérebro que têm. Não 10%, como dizem alguns gurus de autoajuda, promotores do paranormal, escritores mal informados de ficção científica e, mais recentemente, o filme “Lucy”, estrelado por Scarlett Johansson, mas 100%. O cérebro todo. Não há, na sua cabeça ou na de qualquer outra pessoa, uma multidão de neurônios-estepe adormecida, esperando um choque de raios gama ou um seminário de motivação contratado pelo RH que os ative, transformando-nos todos em gênios das vendas e das finanças ou candidatos à Escola do Professor X. Leia o artigo completo no site da Galileu.

War Stories: saiu o e-book!

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A antologia de contos americana de ficção científica militar War Stories, cuja produção foi financiada via Kickstarter, está disponível, em versão e-book, para o público em geral (os patrocinadores já tinham recebido seus exemplares digitais). Por que estou gastando espaço no blog para dizer isso? Porque há um conto meu ali, oras!

A história que escrevi, In Loco, se passa num futuro indistinto -- pode ser próximo ou distante -- durante uma missão de paz conduzida por países latino-americanos numa Escandinávia balcanizada e destroçaca por guerras civis. A narrativa trata, entre outras coisas, da responsabilidade moral do soldado num cenário de "guerra remota" -- onde os militares lutam apertando botões, de uma distância segura, enquanto civis são triturados.

In Loco está na seção Armored Force ("Força Blindada") do livro, então quem já tem alguma familiaridade com ficção científica militar deve ser capaz de deduzir o tipo de tecnologia envolvida. E mais não digo, se…

Atrocidades e exorcismos

O padre romeno Daniel Corogeanu, solto depois de ter sido condenado a sete anos de cadeia pelo sequestro e assassinato, em 2005, de uma freira, foi forçado a fugir do vilarejo onde pretendia fundar um novo monastério. A vítima do crime, irmã Irina Cornici, morrera depois de passar cinco dias amarrada a uma cruz, sem água ou comida, numa tentativa de expulsar o “demônio” de seu corpo: uma versão hardcore do ritual de exorcismo. Irina tinha sido diagnosticada com esquizofrenia, mas padre Daniel acreditava que ela estava possuída e que “não se pode expulsar o diabo com pílulas”. Leia o artigo completo no site da Galileu.

Agora só falta a Universal ter um país só dela

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A imagem dos camisas pretas de Mussolini marchando sobre Roma foi a primeira que me veio à mente quando li a notícia de que uma tropa de camicie bianche da Universal do Reino resolveu tomar as leis de trânsito nas próprias mãos e decidir quem podia, ou não, usar as vias públicas durante a inauguração do Templo, dito de Salomão, sem ser incomoda pelas autoridades que, em tese, deveriam zelar pelo direito de ir e vir de cidadãos de todos os credos, etnias, orientações sexuais, etc.

Logo me dei conta, no entanto, de que a comparação com o fascismo era um exagero, em que pesem a tropa uniformizada, o líder carismático fardado (ou, no caso, fantasiado de rabino) e a guarda de honra, vestida como extras de Indiana Jones e o Templo da Perdição, a carregar a Arca da Aliança nos ombros (foram eles que confundiram os filmes, não eu).

A temporária privatização branca -- trocadilho intencional -- das ruas no entorno do templo, assim como a presença dos chefes dos três níveis do Executivo apenas m…

O Paraíso segundo Millôr

A verdadeira história do Paraíso ou Esta é a verdadeira história do Paraíso é, na verdade, duas histórias. Ou três. Todas extremamente relevantes para o mundo atual, como veremos a seguir. A primeira dessas histórias é a graphic novel – talvez fosse melhor dizer, graphic poem – criada por Millôr Fernandes para a revista O Cruzeiro, publicada em 1963, onde o grande escritor, ilustrador e humorista reconta os eventos dos capítulos 1 a 4 do Gênesis, pontuando-os com alfinetadas céticas, filosóficas e poéticas: Deus fez o Sol, Deus fez a pedra, mas será que também fez a sombra da pedra, ou foi pego de surpresa? Se tinha toda a eternidade à disposição, por que criou o mundo assim nas coxas, em apenas seis dias? Leia a resenha completa no Amálgama.

Conspiração alienígena às avessas

No início do mês, a CIA usou sua conta no Twitter para celebrar o aniversário do primeiro voo de um avião de espionagem U-2 sobre a União Soviética, realizado em 4 de julho de 1956. Esses aviões, cuja existência foi mantida em segredo durante anos, voavam muito mais alto do que se imaginava possível na época – ao menos, para voos tripulados. Para se ter uma ideia, um avião comercial chegava a 6.000 metros de altitude, enquanto que os U2s atingiam mais de 18.000 metros. E o que isso tem a ver com ceticismo? Bom, um dos tuítes comemorativos da agência central de inteligência diz: “Lembram-se dos relatos de atividades incomuns no céu nos anos 50? Éramos nós”. Leia mais em Olhar Cético, no site da Galileu.

Pensamento mágico: o que é, como não funciona

Depois do fiasco da seleção brasileira na Copa, vi algumas pessoas escrevendo que o time da CBF havia sucumbido por ter confiado demais no “pensamento mágico”. Minha definição favorita da expressão vem do historiador britânico Richard Cavendish: “um tipo de lógica que prefere a plausibilidade poética à plausibilidade física”. Em outras palavras, o pensamento mágico é aquele em que as relações metafóricas entre símbolos são mais importantes que as relações físicas entre coisas. Leia mais a respeito no Olhar Cético.

Hitler era vegetariano, Kepler astrólogo. E daí?

Segundo reportagem publicada, em 1938, numa revista inglesa de decoração e paisagismo, Adolf Hitler tinha uma linda casa de campo, era vegetariano, abstêmio, criava cães e não fumava. Biografias afirmam que Johannes Kepler, um dos pais da astronomia moderna, traçava horóscopos. E, embora eu não tenha uma referência exata para citar no momento, parece-me perfeitamente claro que Josef Stálin acreditava que 2+2=4. E o que tudo isso quer dizer? Absolutamente nada.Leia o artigo completo no Olhar Cético da Revista Galileu.

"Provas" do céu e do inferno

Em 1876, o padre católico francês Louis-Gaston de Ségur publicou um pequeno livro chamado “O Inferno: se existe, o que é, como evitá-lo”. Na primeira parte da obra, que busca estabelecer a realidade do tormento eterno, De Ségur relata uma série casos, reais e “de fonte segura”, de pessoas que voltaram das chamas infernais para dar depoimento. Em temos mais recentes, livros de depoimentos tentam mostrar que o paraíso é real. Leia mais a respeito no Olhar Cético da revista Galileu.

De volta ao mundo do terror

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Meu primeiro livro publicado foi Medo, Mistério e Morte, lançado em 1996 por uma pequena editora chamada Didática Paulista, que de lá para cá mudou de nome e se especializou em livros evangélicos (o que mostra, entre outras coisas, que o destino é um grande ironista). O título, imagino, já deixa claro que se trata de uma coleção de contos de terror. Muitas dessas histórias tinham inspiração direta na obra de H.P. Lovecraft, ainda que eu me reserve o direito de achar que fiz algumas contribuições originais aos Mitos de Cthulhu, como a criação de um livro maldito em tupi-gurani, o temível Ang-Mbai Aiba.

Cheguei a militar no fandom internacional de Lovecraft e do terror literário, filiando-me por algum tempo à Horror Writers Association, publicando alguns trabalhos em inglês, não só online como também no clássico fanzine de papel Crypt of Cthulhu.

Bom, acontece que o tempo passou, meus interesses se diversificaram e acabei desenvolvendo uma certa antipatia ideológica pelos Mitos -- ou, …

Escritora que era louca, ou louca que escrevia?

Mãe adolescente, mulher rica que chegou a se definir como “esquizofrênica de carteirinha”, aviadora, homicida, cega, prisioneira, escritora genial. A mineira Maura Lopes Cançado (1929-1993) foi tudo isso: saudada como uma das principais promessas da literatura brasileira nos anos 60, “contista revelação” do lendário Suplemento Dominical do Jornal do Brasil – onde trabalhavam, entre outros, Carlos Heitor Cony e Ferreira Gullar – Maura passou a vida adulta entrando e saindo de hospícios e, numa dessas internações, matou outra paciente. Presa num hospital penitenciário, em condições precárias, desenvolveu catarata, ficou cega. Libertada, passou por uma cirurgia e recuperou a visão, mas não escreveu mais. Leia, no Jornal da Unicamp, entrevista que fiz com a pesquisadora Célia Musilli, que mergulhou na obra de Maura.

As pirâmides de Fantástico

Algumas pessoas me procuraram, nas redes sociais, em busca de comentários a respeito da reportagem do Fantástico do último dia 22, que trata de uma comunidade mística, na Serra do Roncador, no Centro-Oeste brasileiro, onde são realizados rituais de “cura” envolvendo cirurgias sem bisturi e pirâmides flutuantes. Depois de assistir à matéria (que está online, acompanhada de uma útil transcrição, neste link ), resolvi oferecer meus dois centavos a respeito, e também falar um pouco sobre os precedentes, na cultura popular e no meio esotérico, das alegações dos místicos da Serra. Você pode ler o comentário completo no site da revista Galileu.

Poltergeist!

Um caso de poltergeist – alemão para “espírito barulhento” – ocorrido no Rio Grande do Sul virou reportagem de emissora de TV e andou fazendo a ronda das redes sociais nas últimas semanas. O poltergeist é um tipo especialmente violento de assombração. Nesse fenômeno, ruídos sem causa aparente são ouvidos dentro de uma casa, e objetos são jogados contra paredes ou se quebram sem que ninguém seja visto fazendo os arremessos ou provocando os danos. No caso gaúcho recente, a família vitimada optou por demolir a casa – que era de madeira – e se mudar. (Leia análise completa do caso no Olhar Cético desta semana)

E por falar em futebol...

Para não dizer que não tentei tirar uma casquinha do Evento-Que-Não-Pode-Ser-Mencionado, já que seu nome está protegido pelos temíveis guardiões dos Ritos de Koopy ("Koopy Rites", em inglês), eis que a Editora Draco anuncia o lançamento da antologia Futebol, que reúne contos sobre o esporte escritos com um viés fantástico -- de ficção científica, terror e fantasia. Meu conto presente no livro, Sob o Signo de Xoth, já havia saído na antologia de ficção científica com futebol Outras, Copas, Outros Mundos, de 1996 1998, lançada pela mais importante editora extinta de que você nunca ouviu falar, a Ano-Luz.

Lembro-me de que o "Xoth" do título fez subirem algumas sobrancelhas irônicas, na época. O nome de refere à estrela de origem dos filhos de Cthulhu, criados por Lin Carter para sua versão pessoal da mitologia de H.P. Lovecraft. O conto trata de uma tentativa de manipulação da energia emocional de uma torcida de futebol para fins inomináveis.

Esse conto foi um dos últ…

Meu problema com a Copa

Quando o Brasil foi escolhido para sediar a Copa do Mundo deste ano, minha reação foi um misto de resignação e mau-humor. Que é exatamente como me sinto hoje, no dia da abertura do torneio. Resignação com o que eu sabia que viria por aí: gastos desbragados, obras inacabadas ou finalizadas nas coxas e pelo triplo do preço, a tal da "soberania nacional" tão cara aos posers de sempre vergada, sem a menor cerimônia, sob as exigências da Fifa.

Já o mau-humor era um pouco mais difícil de explicar. Em parte, era por causa das complicações -- transporte, horário, agenda -- que o evento inevitavelmente traria para a minha vida, logo eu que não dou a mínima para futebol. Mas só em parte.

Não se tratava também, exatamente, da questão de prioridades: investimento público em esporte e lazer pode ser legítimo, afinal. Dizer que há "coisas mais importantes a fazer" é um truísmo, sempre, não importa o que se esteja fazendo: eu, por exemplo, estou aqui, blogando, em vez de ir para …

Fumo passivo, fato ou ficção? Fato!

A regulamentação, pela presidente Dilma Rousseff, da lei que proíbe o fumo em espaços fechados de uso coletivo, como restaurantes ou escritórios, está causando alguma polêmica. Há um argumento, brandido pelos opositores da proibição, que merece um olhar cético: o de que os malefícios do fumo passivo “não estão comprovados” pela ciência. Só para deixar claro: estão, sim. Os efeitos do fumo passivo são pesquisados há décadas, e o resultado tem sido tão consistente quanto constrangedor – para os tabagistas. (Leia o artigo completo no Olhar Cético da Galileu online)

Contágio emocional no "feed" do Facebook

Um experimento que manipulou o conteúdo do news feed de mais de 680 mil usuários do Facebook mostrou que a exposição a conteúdo emocionalmente negativo leva o usuário a produzir e postar mais conteúdo negativo, e a exposição a conteúdo positivo estimula a produção e postagem de conteúdo positivo. O artigo que descreve o estudo foi publicado no periódico PNAS. (Esta, e outras notas sobre pesquisa científica, estão na coluna Telescópio da edição 600 do Jornal da Unicamp).

A "outra" divulgação científica

Semana passada, estive no campus da Unesp de São José do Rio Preto, participando de uma mesa redonda sobre divilgação e popularização da ciência, ao lado de Samuel Antenor, da Agência Fapesp, e do biólogo Renan Garcia, que vem desenvolvendo um projeto de conscientização sobre a anemia falciforme. A mesa fez parte da 30ª Semana de Biologia da Unesp de Rio Preto, organizada por estudantes -- e, mais uma vez agradeço o convite!

Como costumo fazer nesses eventos, levei comigo um texto-base sobre o que queria dizer e, como também costumo fazer, acabei fazendo uma breve apresentação que, se seguiu o texto-base em suas linhas gerais, não chegou a dar conta dele (mesmo porque o público não é obrigado a aturar minha voz maviosa durante a leitura de um ensaio de três páginas). Então, publico, abaixo, a íntegra do que havia preparado:

Creio que não é mais necessário defender de modo muito enfático a necessidade de divulgação do conhecimento científico. Vivemos numa civilização construída sobre es…

Planetas demais

A abundância de planetas pequenos – com, no máximo, quatro vezes a massa da Terra – descobertos em órbita ao redor de estrelas semelhantes ao Sol é “surpreendente”, diz artigo publicado no periódico PNAS, “já que faltam no nosso Sistema Solar”, onde apenas dois outros mundos, Vênus e Marte, são comparáveis ao nosso. (Leia mais sobre esse novo "paradoxo dos planetas" na coluna Telescópio)

Horóscopo "tucano" versus horóscopo "real"

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O lide -- para quem não fala jornalistês, o parágrafo inicial, que resume a informação mais importante do texto -- da coluna de horóscopo da Folha de S. Paulo da última quarta-feira está causando algum furor nas redes sociais, Parece que tem gente achando que até mesmo os vaticínios dos astros vêm sendo manipulados pela mídia perversa tucana whatever. Eis o lide da discórdia (apudCarta Capital):


Por mais que seja alentador ver as pessoas lançando um olhar crítico para a astrologia (assunto de que já tratei, por exemplo, aqui, aqui e aqui), desta vez vejo-me compelido a sair em defesa da colunista da Folha. Não creio que ela tenha feito seu lide com vistas a algum tipo de efeito midiático subliminar (algo de que já tratei aqui, aliás), mas sim, simplesmente, que tenha praticado astrologia bona fide -- ou, ao menos, tão "bona fide" quando possível, nesse campo. Vamos analisar as três linhas fatais em detalhe:

1. Trata-se de uma previsão óbvia.

Vamos lá, gente. Com a Copa chegan…

"Science" dedica edição à desigualdade

No rastro dos movimentos Occupy e do enorme sucesso editorial do livro O Capital no Século XXI, do economista francês Thomas Pikkerty, a revista Science da semana passada dedicou uma seção especial à questão da desigualdade econômica, com cinco artigos – entre reportagens e revisões da literatura científica – a respeito do tema, e que vão da psicologia da pobreza à transmissão da desigualdade entre as gerações. “Um diálogo internacional surgiu em torno da questão” da desigualdade, diz a introdução dessa sequência de artigos, “juntamente com alguns dados científicos que o alimentam”. (Mais sobre o conteúdo dessa edição, e outros temas científicos, na Coluna Telescópio)

Bomba atômica em Sodoma?

A ideia de que certos mitos preservam relatos de explosões nucleares provocadas por alienígenas nasceu na década de 50 na União Soviética, país que durante algum tempo abraçou a ufologia mais delirante como uma espécie de “alternativa secular” à religião. O tema foi contrabandeado para o ocidente por autores franceses, no início dos anos 60, e ganhou o mundo na obra do suíço Erich von Däniken. As bombas atômicas antigas teriam sido usadas contra Sodoma e Gomorra, as cidades bíblicas, e durante uma batalha descrita no épico indiano Mahabharata. (O artigo prossegue no 'Olhar Cético' do site Galileu)

Peste Negra e a seleção natural

As gerações de europeus que viveram imediatamente após o fim da Peste Negra do século 14 foram compostas por indivíduos mais fortes e saudáveis que as gerações imediatamente anteriores, afirma estudo publicado no periódico PLoS ONE. Este é o tema de uma das notas da coluna Telescópio desta semana.

Tipo de agricultura define estilo da cultura, diz estudo

Estudos psicológicos vêm traçando algumas diferenças entre os modos ocidental e oriental de pensar – sendo o primeiro mais analítico e individualista e o segundo, mais holístico e coletivista. Há várias hipóteses sobre a causa dessa distinção, e agora um artigo publicado na edição de 9 de maio da revista Science oferece mais uma possibilidade: o tipo de agricultura tradicionalmente praticado em cada civilização – arroz no Oriente, trigo no Ocidente. (Leia mais na coluna Telescópio desta semana)

Falando sobre "O Rei de Amarelo" e adjacências

Na última sexta-feira, a Editora Intrínseca publicou em seu blog oficial uma entrevista comigo, sobre o trabalho de produzir as notas de rodapé para a edição brasileira de O Rei de Amarelo. Além de falar sobre o processo de elaborar as anotações, dei também uns pitacos sobre a relação entre "alta" literatura e literatura fantástica, entre literatura gótica e pulp fiction e sobre se esse negócio de um livro ser horrível demais para ser lido realmente faz sentido. A íntegra da conversa está neste link.

War Stories: ToC

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Notinha rápida, só para avisar que está sendo divulgada hoje, oficialmente, a lista de histórias (ou, em inglês, "Table of Contents", "ToC") da antologia de ficção científica militar War Stories, da qual faz parte meu conto original em inglês In Loco. A capa do livro, que foi financiado via Kickstarter e que deve estar à venda para o público em geral -- isto é, para não-contribuintes do financiamento, que vão receber seus exemplares com prioridade -- no segundo semestre, é essa aí embaixo:



E já que estamos falando de capas, também vi hoje, no site oficial da Ellery Queen Mystery Magazine, a capa da edição de julho,  que traz Best Eaten Cold, tradução de Clifford Landers para meu conto Melhor Servido Frio, que saiu originalmente na antologia Ficção de Polpa: Aventura!, publicada pela Não Editora. O conto é uma história de crime, de aventura e, também, uma ficção científica de futuro próximo. Foi inspirado por minha passagem pela Antártida como repórter do Estadão, e…

A matemática do presente de casamento

Pretende se casar em breve? Então talvez valha a pena procurar a edição número 4, volume 5, do periódico International Journal of Electronic Marketing and Retailing, que traz uma análise estatística de como foram atendidos os pedidos apresentados em mais de 500 listas de presentes postadas online, feita por pesquisadores da Coreia do Sul e dos Estados Unidos. Os autores descobriram que três categorias de presentes geralmente acabam sobrando nas listas, sem ninguém para comprá-los e oferecê-los aos noivos: os muito caros, os muito baratos – e os de preço médio. (Leia mais sobre este assunto, e também sobre supernovas, planetas habitáveis, poluição em Roma Antiga e o Facebook na coluna Telescópio).

Ficção bizarra

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A foto acima mostra o meu Great Old One doméstico saudando duas peças de "weird fiction", "ficção bizarra", que saíram agora em abril e que, coincidentemente, têm participação minha: à esquerda, o livro A Ascensão de Cthulhu, da editora gaúcha Argonautas, que traz um conto que escrevi -- Caos e Eternidade, passado numa estação espacial -- e, à direita, a edição brasileira de O Rei de Amarelo, na qual colaborei com uma introdução, além de uma série de notas explicativas e comentários.

Agora, alguém pode estar se perguntando: que papo é esse, "weird fiction"? A expressão hoje está mais associada ao chamado new weird de China Miéville & colegas, mas trata-se de uma denominação mais antiga -- senão, é claro, não haveria por que usar o "new" -- e se refere a um tipo de ficção que mistura terror, fantasia e ficção científica em doses nem sempre iguais, e nem sempre de modo homogêneo, muitas vezes bastando apenas o uso de elementos de um gênero --…