quarta-feira, 7 de agosto de 2013

"Pura Picaretagem" no IFSP

Na manhã desta quarta-feira, fiz uma palestra, seguida de animado bate-papo, para alunos do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP). Estive lá a convite do professor de Física Marcelo Porto Allen, um amigo dos velhos tempos da USP.

O, digamos, pontapé inicial da conversa com os estudantes, de turmas de ensino médio e de licenciatura em Física e Química, foi o livro Pura Picaretagem, mas o papo logo derivou para temas correlatos, como medicina alternativa (acupuntura e homeopatia, especificamente), as implicações do materialismo para o livre arbítrio e a responsabilidade de jornalistas e educadores em manter as pessoas bem informadas.

Desta vez não tenho um texto da palestra para publicar aqui -- eu só havia preparado algumas notas, um roteiro sinóptico. Em linhas gerais, aproveitei para entrar um pouco numa história que ficou de fora do livro, a da evolução do moderno movimento de "autoajuda", que nasce e evolui mais ou menos junto com a Física moderna -- o livro Self-Help foi publicado em 1859, um ano depois no nascimento de Max Planck e numa época em que Faraday e Maxwell estavam em atividade; além disso, a obra arquetípica do gênero, As a Man Tinketh, é publicada em 1902, durante os salvos iniciais da revolução quântica -- e sobre como os princípios dessa "escola de pensamento" acabaram sequestrando a linguagem da ciência (e, depois, a do misticismo oriental) para legitimar-se.

Mas a melhor parte não foi o que eu disse nos meus vinte minutos de solilóquio, e sim a conversa com os jovens, depois (olha eu aqui, chamando os outros de "jovens"... tempus fugit). Acho que respondi mal à questão sobre livre arbítrio ("se os pensamentos são apenas reações químicas, como podemos ser responsabilizados pelo que fazemos, já que as reações seguem leis determinísticas?").

Enrolei-me um pouco, falando sobre processos inconscientes e que a pessoa é o cérebro inteiro, não apenas a consciência. Se pudesse responder de novo, diria que a ideia de que há, em cada um de nós, um "piloto" espiritual capaz de abstrair todas as circunstâncias e decidir com absoluta liberdade é inconsistente: esse tipo de liberdade elimina até mesmo a necessidade de tomar decisões. Decidimos porque somos limitados por nossas circunstâncias, e a bioquímica do sistema nervoso é apenas mais uma circunstância, que pode ou não reduzir nossa responsabilidade, dependendo do caso analisado.

Pude contar também alguns casos curiosos, como o mito do Centésimo Macaco (quem quiser uma versão mais completa da história, há esta aqui, em inglês) e a investigação de James Randi sobre a memória da água. E mencionei que venho tratando de temas do tipo em uma nova coluna da Galileu.

Enfim, foi uma manhã fantástica. Gostaria de agradecer ao Marcelo, que ainda teve a gentileza de me pagar o almoço, à professora Paloma a todos os que assistiram e, especialmente, a todos os que participaram. Nunca me vi como um orador público, mas posso acabar pegando gosto pela coisa -- ao menos, com plateias assim, dinâmicas e interessadas.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Duas colunas e uma entrevista!

Olá, gente! Estou passando por aqui só para avisar que já entrou no ar o segundo artigo da coluna Olhar Cético, para o website da revista Galileu, que inclusive ganhou um cabeçalho maneiro:

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O texto desta semana é sobre pirâmides financeiras, marketing multinível e o que os dois tipos de "empreendimento" têm em comum. Leia aqui.

E também para anunciar que estou estreando como autor de outra coluna semanal, chamada Telescópio, no Jornal da Unicamp. Esta é uma coluna de notas sobre o que rolou de mais interessante (do meu ponto de vista, obviamente) na literatura científica internacional -- e na literatura internacional sobre ciência -- na semana anterior. Ela aparece aqui.

E, por último mas não menos importante, o Jornal da Unicamp traz uma entrevista que fiz com o professor de Literatura Carlos Berriel, que está lançando um livro sobre a obra do historiador Paulo Prado, o "mentor intelectual" (e financeiro, o cara era rico pra burro) da Semana de 22. O que Berriel tem a dizer sobre o modernismo paulista está bem longe do senso comum, e por isso os corajosos -- mas apenas eles -- são convidados a clicar aqui.