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Mostrando postagens de Janeiro 27, 2013

Grande Cthulhu, 85

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Um ser dotado de poder ilimitado, morto e sepultado por seus inimigos, promete que um dia voltará à Terra. Mais: que seu retorno precipitará o fim do mundo e, em meio a uma série de pragas e sofrimentos, criará uma nova realidade, onde o ser onipotente reinará absoluto e onde seus adoradores fiéis, principalmente os que sofreram agruras e perseguições em seu nome, terão uma vida eterna de delícias. Já seus adversários e os que não acreditaram nele serão condenados a um sofrimento indescritível e infindável.

Responda rápido: estou falando de Jesus Cristo ou do Grande Cthulhu?

A vida e o trabalho do escritor americano H(oward) P(hilips) Lovecraft, criador do supracitado Cthulhu – monstro alienígena que dá nome ao conto O Chamado de Cthulhu, cuja publicação original, no pulp Weird Tales, completa 85 anos neste mês – , foram analisados sob as mais diversas chaves.

Há desde a psicanalítica (onde o desapreço do autor por frutos do mar, explícito na concepção de monstros sob a forma de lu…

Trânsito mata mais que a guerra do Iraque... e daí?

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Comparar a estatística de mortes causadas por acidentes de trânsito com o número de vidas perdidas em desastres de magnitudes várias já virou uma espécie de clichê: em Goldfinger, quando James Bond confronta o vilão com a monstruosidade que seria matar toda a população de uma pequena cidade apenas para abrir caminho para o saque de Fort Knox, o gênio do mal dá de ombros e diz que os motoristas americanos matam mais gente do que isso em um ano.

Ao contrário do insensível Auric Goldfinger, no entanto, a maioria das pessoas que buscam traçar paralelos entre a quantidade de vidas perdidas no trânsito e, por exemplo, em guerras, não pretende apresentar seus dados como uma forma de minimizar a tragédia, mas bem o oposto: mostrar como a imprudência ao volante pode provocar, num país em estado de paz, uma catástrofe comparável à  que atinge uma nação conflagrada. Nos últimos anos, dizer que "o trânsito no Brasil mata mais que a guerra do Iraque" virou quase um mantra. Mas o que iss…

Cérebro virtual, numa garrafa idem

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A União Europeia decidiu aplicar a bagatela de 1 bilhão de euros (arredondando para cima, 3 bilhões de reais) no Projeto Cérebro Humano, uma iniciativa de pesquisa com vários objetivos interligados. Entre eles, o de entender o funcionamento do cérebro bem o suficiente para que possamos derivar novos tipos de tecnologia daí -- "computação neuromórfica" é o nome -- e, no front da medicina, há a meta de integrar tudo o que sabemos sobre neurologia e doenças do sistema nervoso.

Tudo isso é muito importante e muito legal, mas uma das metas tem uma importância filosófica que não deve ser subestimada: a plataforma de simulação do cérebro. Citando a brochura informativa do projeto:

"A plataforma deve tornar possível criar e simular modelos do cérebro em diferentes níveis de detalhe, adequados a diferentes questões científicas (...) Ferramentas disponibilizadas pela plataforma gerarão os dados necessários para pesquisa em medicina (modelos de doenças e efeitos de drogas), comput…