Meteoro!

Buraco aberto por meteorito em lago congelado. Foto de Andrey Orlov
Postagem atualizada  na manhã e sábado, 16/2, com informações da Nasa!


O que se sabe até o momento (via RT e Astronomy Now): um meteoro, com massa estimada, antes de sua entrada na atmosfera terrestre, em 50  9.000 toneladas, explodiu sobre o sul da Rússia, a leste dos Montes Urais, por volta das 9h20 da manhã, hora local (1h20 da madrugada, no Brasil). Pelo menos três fragmentos já foram recuperados, dois na vizinhança do Lago Chebarkul, perto da cidade de Chelyabinsk, a 1.500 km de Moscou. O terceiro fragmento estava a 80 km dali, na cidade de Zlatoust.

As ondas de choque e os fragmentos menores produzidos pela passagem do meteoro causaram danos que, por sua vez, levaram mais de 900 1.000 pessoa a procurar serviços de saúde. Pelo menos duas pessoas estariam em estado grave.

De acordo com a prefeitura de Chelyabisnk, uma cidade de 1,1 milhão de habitantes, citada pelo site RT, cerca de 3.000 edifícios foram danificados, incluindo 34 hospitais e postos de saúde e 361 escolas. O total de janelas estilhaçadas soma uma área de 100.000 metros quadrados.

A região da queda
 Os fragmentos sugerem que o objeto que entrou na atmosfera, despedaçando-se a uma altitude de 10.000 24.000 metros, era composto de uma mistura de metal e rocha, tinha 15 metros de diâmetro e uma massa de 9.000 toneladas. O objeto teria entrado na atmosfera terrestre a uma velocidade de 30 quilômetros por segundo  -- isso é 108.000 km/h  65.000 km/h, aproximadamente igual à velocidade com que a Terra orbita o Sol. Isso sugere que a pedra estava "parada" ali no espaço, e nós é que trombamos com ela (NE: ou pode ser só uma coincidência, como apontado nos comentários).

Sobre se eventos assim são raros ou comuns, o astrônomo Jay Tate, do Centro Spaceguard do Reino Unido, disse ao Astronomy Now que pelo menos três casos parecidos foram registrados no século 20: Tunguska, Sibéria, em 1908; Rio Curaçá, na Amazônia brasileira, em 1930; e, talvez o mais parecido com o evento de Chelyabisnk, Revelstoke, no Canadá, em 1965, quando a queda produziu, de acordo com a Wikipedia, um "esplendoroso rastro no céu". Ainda sobre meteoritos que atingiram áreas urbanas, em 1992 uma rocha espacial caiu no porta-malas de um automóvel em Peekskill, Estados Unidos.

O carro de Peekskill, atingido por meteorito nos anos 90

Neste século, já tivemos o caso de uma criança atingida por um meteorito, na Alemanha, em 2009; e o meteorito do Sudão, que foi rastreado em sua trajetória rumo ao deserto africano, em 2008. Não há, no entanto, nenhum registro confirmado, até agora, de que alguém já tenha sido morto por causa da queda de uma rocha espacial. Há uma lenda persistente de que o meteorito Nakhla, um pedaço do planeta Marte que caiu na Terra em 1911, teria aterrissado sobre um cachorro especialmente azarado, matando-o, mas o relato carece de confirmação.

A Nasa completou, em 2011, uma tarefa que lhe havia sido dada pelo Congresso americano, em 1998, de rastrear e catalogar 90% dos os asteroides capazes de provocar uma catástrofe global -- o que não deixa de ser uma boa notícia, mas eventos como o de Chelyabisnk deixam bem claro que não é preciso o potencial de uma "catástrofe global" para que uma rocha no espaço seja perigosa. A tabela abaixo, retirada deste artigo da Wikipedia, mostra a frequência esperada do impacto de meteoroides com o planeta:


De acordo com esses números, podemos esperar um asteroide pequeno, com cerca de 4 metros de diâmetro, praticamente a cada ano, e outros um pouco mais desagradáveis, com 20 metros, uma ou duas vezes por século. A maior parte dos impactos acontece no oceano -- que cobre a maior parcela da superfície terrestre -- mas, à medida que a humanidade expande sua pegada sobre o planeta, o risco de um meteorito causar danos graves a pessoas ou a atividades econômicas cresce.

Comentários

  1. "Os fragmentos sugerem que o objeto que entrou na atmosfera, despedaçando-se a uma altitude de 10.000 km"<=10 mil km ou 10 mil metros?

    []s,

    Roberto Takata

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  2. "Isso sugere que a pedra estava "parada" ali no espaço, e nós é que trombamos com ela."<=Alternativamente, que a velocidade do meteoro (relativamente ao Sol) fosse o dobro e atingiu a Terra "por trás". Ou qq coisa intermediária com ângulos diferentes.

    []s,

    Roberto Takata

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  3. Sei que você corrigiu, mas caso ela estivesse para ali, a Terra não teria "batido" nela ano passado nesta época do ano. Como não bateu, só posso imaginar que ela estacionou neste lugar depois da última volta.

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