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Mostrando postagens de 2013

Astronautas antigos e dinossauros contemporâneos

Imagino que pouca gente ainda se lembre dos “Monstros de Acámbaro”. São pequenas miniaturas de cerâmica, com formatos que lembram dinossauros, “descobertas” no México em 1944. Durante décadas, fundamentalistas religiosos citaram-nas – alguns ainda as citam, na verdade – como prova de que homens pré-históricos conviveram com os grandes sáurios. (Leia o texto completo no blog da Revista Galileu)

Retrospectiva pessoal: 2013

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Não sou de fazer retrospectivas autobiográficas, mas este ano foi tão excepcional que não resisti à tentação de tirar a foto acima -- que reúne, digamos, o "resíduo material" dos avanços de 2013. Começando no sentido horário, o primeiro, acima e à esquerda, é o volume Tales of the Wold Newton Universe, antologia-tributo a Philip José Farmer, publicada pela editora britânica Titan e nque incui meu conto, escrito em parceria com Octavio Aragão, The Last of the Guaranys. O segundo é o Prêmio Argos de ficção científica curta de 2012, concedido ao meu conto No Vácuo, Você Pode Ouvir o Espaço Gritar, publicado pela editora Draco como parte da antologia Space Opera 2, de Hugo Vera e Larissa Caruso,  e relançado como e-book solo.

O terceiro, abaixo e à direita, é Pura Picaretagem, meu segundo livro de não-ficção e o primeiro escrito em parceria, com o físico carioca Daniel Bezerra. Dos mais de 30 livros em que, segundo o Skoob, tenho alguma participação, como autor ou coautor, este…

Efeito de manada na ciência

O processo de revisão pelos pares, no qual especialistas independentes avaliam os resultados de pesquisas científicas para determinar seus méritos, é vulnerável a “efeitos de manada” que podem fazer com que a comunidade científica não consiga detectar e corrigir seus erros, escrevem os autores de trabalho publicado na revista Nature. (Leia mais sobre esse assunto, e outros, na coluna Telescópio do Jornal da Unicamp)

Óvnis existem. E daí?

Outro dia vi na televisão um debate sobre óvnis onde, pela milésima vez, um fã dos discos voadores levantou o seguinte argumento: “Mas você acha mesmo que estamos sozinhos no universo?” E, pela milésima vez, fiquei decepcionado ao ver que nenhum dos outros debatedores, em vez de balançar a cabeça diante da gravidade da pergunta, dava a resposta lógica: “E daí?” (Leia o restante da postagem no Olhar Cético da Revista Galileu, e aproveite para conhecer o novo lay-out lindão!)

Violência, não violência, mudança social

Mal foi dada a notícia de sua morte, começou a disputa pelo cadáver de Nelson Mandela. Nas redes sociais, parece que todo e qualquer revolucionário de sofá com uma estratégia favorita sobre como provocar mudanças sociais -- seja por meio de passeatas, terrorismo, resistência pacífica -- passou a peneirar a biografia do líder sul-africano em busca de exemplos para defender sua tese; e todo conservador retinto, que teme qualquer mudança, não importa qual ou de onde venha, também passou a caçar exemplos de que Mandela, o "revolucionário boa-praça", na verdade não passava de um lobo em pele de cordeiro.

Não me parece possível sintetizar a vida de um homem de 95 anos, que passou quase três décadas encarcerado e que se propôs a reconstruir um país inteiro, de modo tão simplista. O argumento, no fim, é menos sobre a identidade de Mandela -- que pode ser explorada em ensaios e biografias mas que, como a identidade de cada um de nós, no fim se reduz a um mistério -- e mais sobre estr…

Debate sobre astrologia: vídeo

No início de novembro, eu e as astróloga Vera Facciollo participamos de um debate sobre a validade da astrologia, em particular -- e das previsões de ano novo, em geral -- promovido pelo iG. Foi um debate curto, de cerca de 15 minutos, então não houve tempo de expandir a argumentação.

A chamada final, feita pela moderadora, para que o público visite o site de previsões esotéricas do próprio iG foi, ao menos para mim, meio que um anticlímax, mas não posso me queixar nem da condução do debate, nem da neutralidade demonstrada pela moderadora durante todo o período a troca de ideias. E por falar em ideias, foi a conversa pré-debate que me levou a pensar na postagem sobre Michel de Gauquelin que publiquei alguns dias atrás, então o efeito de inspiração já valeu a viagem.

Não gosto muito de me ver em vídeo -- sempre tenho a impressão de que estou fazendo careta. Mas, se o leitor caridoso achar que vale a pena, o debate está "embedado" aí embaixo. 

Bem, na verdade, estava, mas fiz …

Papai Noel existe?

A pergunta não é tão tola quanto parece. Afinal, todos os anos Papai Noel é avistado por milhões de crianças e adultos de todo o mundo, e muitas dessas testemunhas, principalmente as crianças, são inocentes e não têm motivo para mentir. Mesmo que muitos dos Noéis avistados sejam impostores, ninguém nunca conseguiu provar que todos são. (Leia a conclusão desse intrigante argumento na coluna Olhar Cético, na revista Galileu)

Um blog de meio milhão

Esta aqui é uma nota rápida, só para registrar o fato de que, em algum momento desta madrugada, o blog atingiu (e superou) a marca de meio milhão de visitas, acumuladas desde... desde quando, mesmo? Janeiro de 2011. Não sei se é uma marca expressiva em termos de blogs em geral -- o fato de eu ainda não ter recebido um único centavo do AdSense (saldo acumulado de US$ 71, 64) me sugere que não. Mas é um número redondo, bonito, estamos no fim do ano, então, bolas, por que não comemorar?

Aqui, algumas estatísticas para quem curte esse tipo de coisa: embora eu busque encarar o blog como uma ferramenta de divulgação científica, as postagens mais lidas são as em que exponho a revista Veja ao ridículo (de fato, 20% de todo o tráfego foi gerado por uma só delas, esta aqui). O que nem é tão complicado de fazer, aliás -- então, fica a dica para quem quiser "bombar" um blog. Não é difícil. O lado ruim é ter de ler a Veja antes de escrever.

Mais números: minhas principais fontes de tráfe…

Reação instintiva prevê felicidade no casamento

Você pode não ser capaz de prever, conscientemente, se o futuro de seu casamento vai ser feliz ou miserável, mas seus instintos mais profundos são, sugere estudo publicado na revista Science da semana passada. Um grupo de psicólogos de três universidades americanas acompanhou 135 casais – todos recém-casados no início da pesquisa – por quatro anos, pedindo, a cada seis meses, que avaliassem conscientemente o relacionamento e, também, submetendo-os a testes criados para determinar qual a visão automática, instintiva, que tinham do parceiro. (Leia a nota completa na coluna Telescópio do Jornal da Unicamp)

Você é mais "lado direito" ou "lado esquerdo" do cérebro?

Volta e meia ressurgem nas redes sociais links para testes que se propõem a determinar se o cérebro de uma pessoa é mais “lado direito” ou “lado esquerdo”. Isso porque, como todo mundo sabe, o lado esquerdo do cérebro é lógico, matemático, preciso. O lado direito é intuitivo, emocional, poético. Senhor Spock é lado esquerdo. Dr. McCoy é lado direito. Xadrez é lado esquerdo. Ciranda-cirandinha é lado direito. Céticos são lado esquerdo. Astrólogos-alquimistas, lado direito. Certo? Desculpe cortar o barato mas, na verdade, não. (Leia a íntegra do artigo no site da Revista Galileu)

A medida da "pegada ecológica" humana é otimista demais?

O indicador conhecido como “pegada ecológica” (PE), que busca medir quanto da capacidade biológica da Terra está sendo usada pela humanidade, não serve para orientar políticas públicas porque subestima a degradação ambiental causada pela atividade agrícola, pela pesca e pela urbanização, entre outros fatores, diz artigo publicado na edição de novembro do periódico online PLoS Biology. (Leia mais a respeito deste assunto, e outros, na coluna Telescópio do Jornal da Unicamp).

O "Affaire" Gauquelin e o Efeito Marte

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Depois de algumas manobras financeiras internacionais altamente sofisticadas -- ao menos para mim -- finalmente consegui receber, já há algumas semanas, o volume Astrology under Scrutiny, que representa não só a edição final como também um resumo dos resultados de quase 30 anos de estudos científicos da astrologia publicados no periódico holandês Astrologie in Onderzoek (AinO).

O editorial que abre o livro, de autoria do pesquisador Wout Heukelom, conta como, após uma explosão de interesse nos anos 80, o volume de publicações no AinO começou a declinar, a partir da década de 90: "Os resultados da pesquisa continuavam, teimosamente, a refutar as alegações astrológicas, e não só na Holanda. Por fim, isso levou a uma perda de interesse na pesquisa".

O livro holandês dedica toda uma seção especial ao trabalho do psicólogo francês Michel de Gauquelin (1928-1991), considerado o primeiro estudioso a aplicar técnicas estatísticas rigorosas ao estudo da astrologia. Muitos astrólogos…

"Círculos de Plantação" e a temporada de bobagens da mídia

Durante boa parte da década de 80 e até 1991, os círculos de plantação foram parte inescapável da “silly season” da imprensa britânica. Esses círculos eram padrões, alguns até muito belos e intricados, que apareciam desenhados em campos de cereais da Inglaterra. Hipóteses apresentadas sobre sua formação iam desde vórtices inteligentes de plasma a, claro, intervenção extraterrestre. Muitos supostos “especialistas” declararam aos jornais que os desenhos, produzidos pelo achatamento das hastes de plantas de trigo, jamais poderiam ter sido feitos por mãos humanas. (Leia a íntegra do artigo nos site da revista Galileu).

Autoestima, pensamento positivo e psicobaboseira

A ideia de que nossos pensamentos podem construir ou destruir nossas vidas é antiga. “Porque como imaginou em seu coração, assim o homem é”, diz um versículo do Livro dos Provérbios da Bíblia, citação que batiza o primeiro bestseller de autoajuda pelo pensamento positivo, As a Man Thinketh, de 1902. A ele se seguiram inúmeros outros, incluindo o megassucesso O Segredo. (Leia artigo completo no site da Revista Galileu)

Mitos sobre a violência

"A violência é o último refúgio do incompetente", diz Isaac Asimov pela boca de um dos protagonistas de sua série de romances Fundação. Como toda frase de efeito, o dito asimoviano deixa de contemplar nuances: acusar uma pessoa que luta pela própria vida ou contra um regime tirânico, por exemplo, de "incompetência" pode até ser justificado, em certas circunstâncias, mas dificilmente será a melhor avaliação possível do que ocorre. No entanto, notícias como a da invasão do Instituto Royal ou do quase linchamento do coronel da PM paulista mostram que a sabedoria de Asimov continua a encontrar amplo espaço de aplicação.

É importante notar que as soi-disant "forças da ordem"  não vêm mostrando, também, nenhuma relutância em buscar esse último refúgio, e que é a avidez com que o procuram que acaba emprestando, aos depredadores e agressores "civis", a pálida aura de legitimidade com que tentam revestir-se -- aura que também se ampara en mitos, alguns p…

Atlântida, o continente perdido

Ignatius Donnelly foi deputado federal nos EUA em meados da década de 1860. Dono de uma mentalidade progressista para a época — defendeu os direitos dos negros e dos índios e rompeu com o Partido Republicano por discordar de esquemas de corrupção —, viu sua carreira política definhar na década seguinte e virou escritor. Em 1882, inventou a Atlântida. (Continue a ler na revista Galileu)

Em breve, na Ellery Queen Mystery Magazine

Acabo de receber o contrato para publicação de meu conto Melhor Servido Frio (da antologia Ficção de Polpa: Aventura!, Não Editora), em tradução de Cliff Landers, na Ellery Queen Mystery Magazine.  Publicada desde 1941, a EQMM é não só a mais tradicional revista de mistério em circulação no mundo, como faz parte do legado de um de meus autores favoritos -- no caso, a dupla Frederic Dannay e Manfred Lee, que assinava com o pseudônimo Ellery Queen. Já destilei minha admiração por ambos, aliás, nesta postagem.

Embora seja mais associado, como autor, ao mistério "chique" (alguns diriam, pernóstico), de autores como SS Van Dine, ou ao mistério cerebral geralmente associado a  John Dickson Carr, como editor "Ellery Queen" mostrou uma visão ampla e eclética: foi ele quem teve a iniciativa de reunir em antologia os contos do Continental Op de Dashiell Hammett, por exemplo. A EQMM também foi a primeira publicação de língua inglesa a imprimir um trabalho de Jorge Luis Borges…

Blogs de ciência em crise?

Em seu blog Gene Repórter, Roberto Takata pergunta se há uma crise nos blogs de divulgação científica do Brasil -- com base na constatação da queda no número e ritmo de postagens. Falando no caso específico aqui do meu puxadinho virtual, o fato é que boa parte do conteúdo que normalmente seria destinado ao blog acabou, nos últimos tempos, desviado para canais, graças ao Grande Pássaro da Galáxia, remunerados, como o Jornal da Unicamp (onde minha coluna Telescópio é praticamente um "digest" do que sairia no blog) e a revista Galileu, onde atuo como colunista de ceticismo.

Sou o primeiro a admitir que o trabalho aqui no blog foi importante para que eu conseguisse esses dois espaços, só que muito menos por conta da visibilidade (alguém aí?) e mais pela disciplina de trabalho e pela experiência acumulada na busca por fontes de informação. 
A maior parte dos demais blogueiros de ciência no Brasil é, imagino, composta por jovens cientistas, gente com vinte anos a menos e dois ou t…

Sudário de Turim, de novo

Sudário de Turim, dito “Santo Sudário”, é uma espécie de Conde Drácula da pseudociência: não importa quantas vezes seja sepultado pelas evidências, sempre retorna. Recentemente, uma exposição acrítica sobre a relíquia passou pelo Rio de Janeiro, surfando na onda da visita do papa, e depois por São Paulo.

No “Livro dos Milagres”, dedico um capítulo inteiro à tal “mortalha de Jesus”. Resumindo bem a história, há quatro linhas de evidência, independentes entre si, que mostram que o sudário é uma falsificação criada na França medieval. E existe, ainda, mais uma evidência arqueológica recente. (Leia o artigo completo no Olhar Cético do site da revista Galileu)

Guerras fomentam criação de sistemas sociais, aponta simulação

Pesquisadores dos EUA e Reino Unido criaram uma simulação de computador para testar a idéia de que a competição intensa entre grupos humanos, principalmente por meio da guerra, foi um fator fundamental para o desenvolvimento de grandes Estados e sistemas sociais ao longo da história. O modelo foi construído com base em características físicas do Velho Mundo, entre 1500 aC e 1500 dC. Sobre essa paisagem virtual foram espalhados robôs de software, ou “células”, dotados de um “genoma cultural” composto por leis e instituições. (Mais sobre esse assunto e outros, além de uma foto de gatinho, na coluna Telescópio, do Jornal da Unicamp)

Prêmio!

Um momento ego boost, se me permitem: meu conto No vácuo, você pode ouvir o espaço gritar foi eleito o melhor trabalho curto de ficção científica publicado por autor brasileiro em 2012, em votação do Clube de Leitores de Ficção Científica -- motivo pelo qual recebi o Prêmio Argos, uma bela placa com a imagem de um astronauta lendo um livro, e meu nome gravado, neste domingo, na Fantasticon.

Não vou me alongara qui em agradecimentos, mas apenas citar Hugo Vera e Larissa Caruso, editores da antologia Space Opera II, na qual o conto foi publicado -- se não fosse pelo convite/provocação deles, a história jamais teria sido escrita -- e, claro, a comunidade de leitores reunida em torno do CLFC, pela generosidade para com a minha história.

O conto pode ser adquirido, individualmente, como e-book, neste link, ou dentro da antologia, que inclui ainda outros dois trabalhos finalistas do Argos: um conto de Hugo Vera e outro de Fábio Fernandes.

Cera do ouvido de baleia registra poluição do mar

A análise de um cilindro de cera de ouvido de 25 centímetros, retirado do corpo de uma baleia-azul morta em 2007, revelou a presença de contaminantes como pesticidas e mercúrio, provavelmente absorvidos da mãe durante a gestação e a lactação. A baleia-azul é o maior animal da Terra, e a espécie ainda é considerada ameaçada de extinção. (Leia mais a respeito na coluna Telescópio do Jornal da Unicamp)

A "recuperação" do gelo do Ártico

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Assim como todo mundo, meu pai tem alguns hábitos ruins -- entre eles, fumar cachimbo e assistir a telejornais da TV aberta: Jornal da Band e Jornal Nacional, religiosamente, toda noite. Eu às vezes o acompanho nesses programas, meio que por interesse antropológico, e já faz um tempo que venho notando que o telejornal da antiga Rede Bandeirantes de Televisão (que por alguma razão, talvez numerológica, resolveu virar a Rede Banda-em-Inglês de Televisão) volta e meia embarca numa campanha editorial, de mão pesadíssima, para desacreditar o fato do aquecimento global de causa humana.

Nesta semana, foi ao ar uma pataquada em que os cientistas que defendem a visão de que a atividade antrópica está modificando o clima da Terra -- apenas 97% de todos os especialistas na área -- são chamados de "aquecimentistas", ficando subentendido que representam uma minoria (de 97%!) dogmática pero barulhenta. O mote da matéria foi a informação de que a extensão mínima de gelo sobre o Ártico, em …

Lua dos lunáticos

Esta é uma semana de Lua cheia (com a plenitude no dia 19), o que pode indicar que as próximas noites serão mais românticas mas, em compensação, mal dormidas. Um artigo científico recente diz que a Lua parece afetar a qualidade do sono: em média, nas noites de Lua cheia, as pessoas tenderiam a demorar mais para adormecer, uma vez apagadas as luzes; dormiriam pior; e o período de sono duraria 20 minutos a menos que em outras fases lunares. Se estiver correto, este trabalho, publicado na revista Current Biology, será o primeiro a confirmar, em condições rigorosas de laboratório, um efeito concreto das fases da Lua sobre o ser humano. (Leia mais na coluna Olhar Cético, na revista Galileu)

A evolução é mais esperta do que você (outra vez)

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A ninfa, ou filhote, de um tipo de percevejo, o Issus coleoptratus, usa um par de engrenagens nas coxas para sincrozinar o movimento das pernas durante o salto. Essa é a primeira vez em que um sistema de engrenagens capaz de entrelaçar os dentes com precisão e girar de modo funcional é descrito na natureza, diz artigo publicado na edição de 13 de setembro da revista Science. (Leia mais a respeito na coluna Telescópio, do Jornal da Unicamp)

Cantada, crime e censura

Parece que algumas pessoas estão tendo dificuldade em absorver o resultado da Pesquisa Chega de Fiu-Fiu, segundo a qual 83% das mulheres não gosta de ouvir cantada -- entendendo-se, aí, "cantada" como uma manifestação não-solicitada de interesse sexual  em espaço público.

De todas as críticas ao resultado, talvez a única que tem algum valor real é a do vício da amostra: a pesquisa foi aplicada por um site feminista, no âmbito de uma campanha contra a cantada, o que torna o resultado, do ponto de vista estatístico, tão discutível quanto o uma pesquisa do site do Greenpeace sobre rotulagem obrigatória de transgênicos: ninguém vai se surpreender se 90% dos respondentes forem a favor!

Ainda assim, quase 8.000 mulheres responderam. E mais de 6.000 delas disseram que não gostam de cantadas. Números absolutos costumam ser um mau guia para avaliar pesquisas, mas num tema tão íntimo quanto a reação a cantadas, a opinião negativa de 6.000 mulheres certamente deve ser levada a sério.

Ê…

As aparições da Mãe de Jesus e os bugs do cérebro humano

O que os municípios de Ferraz de Vasconcelos (SP) e Chicago (EUA) têm em comum? Aparentemente, pouquíssima coisa: com 168 mil habitantes e 29 quilômetros quadrados, a cidade brasileira faz parte da periferia de São Paulo. Já a americana é uma metrópole, com mais de 2 milhões de habitantes e 600 quilômetros quadrados. Ambas, no entanto, abrigam imagens que, de acordo com alguns fiéis, são retratos milagrosos da mãe de Jesus. (continue lendo a coluna Olhar Cético no site da Galileu)

Sambaquis são descobertos na Amazônia boliviana

Uma equipe internacional de pesquisadores, liderada por Umberto Lombardo, da Universidade de Berna, na Suíça, descobriu que pelo menos três das “ilhas de floresta” existentes na região de Llanos de Moxos, na Amazônia boliviana, são, na verdade sambaquis: montes de conchas de animais aquáticos, ossos e carvão, erguidos por ação humana há cerca de 10 mil anos. Essas “ilhas” são elevações do solo cobertas por árvores, que se destacam em meio à vegetação baixa da região. (Leia mais na coluna Telescópio, do Jornal da Unicamp)

Rogue Male

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Fazia tempo que estava querendo ler Rogue Male, de Geoffrey Household: a primeira vez que ouvi falar do livro foi numa biografia de Ian Fleming, onde se dizia que Household tinha sido um autor muito admirado pelo criador de James Bond; a segunda foi em SOE, de M.R. Foot, uma história da Executiva de Operações Especiais, órgão clandestino criado pelo governo britânico para estimular a subversão e a sabotagem na Europa ocupada pela Alemanha, durante a 2ª Guerra. Nesse livro, não só Rogue Male é elogiado como "um dos melhores thrillers já escritos", como somos informados de que Household havia tomado parte num projeto para sabotar os campos de petróleo da Romênia, caso os nazistas se apossassem deles.

Com essas indicações, ficou óbvio que eu tinha de ler o livro. Há alguns dias, finalmente consegui pôr as mãos numa edição fantástica da Folio Society e, obrigando-me a abrir uma pausa nas leituras de não-ficção que andam monopolizando meu soi-disant tempo livre, passei o sábado …

Descoberto ‘segredo’ em veneno de formiga

Para quem sofre com a dor da picada e as reações alérgicas talvez não faça muita diferença, mas no veneno das formigas Solenopsis saevissima, uma das espécies popularmente conhecidas como lava-pés, escondem-se sutilezas tão importantes quanto inimagináveis, reveladas em uma tese de doutorado defendida no Instituto de Química (IQ) da Unicamp. (Continua no Jornal da Unicamp)

Cientistas dos EUA tendem a exagerar resultados, diz estudo

Uma análise estatística de mais de 1.100 pesquisas sobre genética, hereditariedade e psiquiatria indica que os estudos realizados nos Estados Unidos, ou que têm coautores americanos, tendem a informar efeitos mais contundentes do que os esperados pela média dos trabalhos que investigam os mesmos assuntos, o que sugere que a taxa de sucessos na literatura produzida pelos americanos pode ser exagerada. (Leia mais a respeito disso e de outros assuntos na coluna Telescópio, do Jornal da Unicamp).

Até a qualidade da música é julgada com os olhos

O pesquisador Chia-Jung Tsi, do University College London, pediu a voluntários – incluindo músicos experientes e iniciantes – que avaliassem as performances dos finalistas de dez importantes concursos internacionais de música erudita, e tentassem adivinhar quais tinham sido os ganhadores. Para tanto, foram apresentados ou clipes de vídeo contendo trechos de som e áudio de cada performance, ou apenas o áudio, sem imagens, ou apenas o vídeo, sem a trilha sonora. Todos os participantes declararam que o som seria a parte mais importante da avaliação, mas... (continua na coluna Telescópio, do Jornal da Unicamp).

Do risco de só se ver canalhas do outro lado

Enquanto pesquisava para a reportagem sobre teorias da conspiração que saiu na edição de julho da revista Galileu, encontrei alguns artigos de psicólogos e cientistas políticos que mencionavam o fenômeno da polarização: em linhas gerais, quando um grupo de pessoas que têm uma opinião comum, ainda que moderada -- digamos, que o Lula não foi um presidente assim lá tão bom quanto se diz, ou que o capitalismo é um sistema que tem lá seus problemas -- se reúne para conversar, existe uma tendência muito forte de que, ao fim do papo, todos saiam do encontro um pouco mais radicalizados do que entraram.

No caso do exemplo acima, seria, numa caricatura exagerada, como se os críticos moderados de Lula saíssem declarando-o o pior presidente da história, ou os defensores da reforma sutil do capitalismo saíssem berrando por la revolución. O problema com esse efeito de polarização é que ele raramente se baseia em evidências ou argumentos: trata-se apenas de um efeito de manada, da tendência que temo…

Quando o cara ganha um Nobel e começa a falar bobagem...

Há vários casos famosos, como o de Linus Pauling, cuja enorme autoridade -- ganhador de dois prêmios Nobel, e certamente um dos químicos mais importantes do século passado -- ajudou a lançar a indústria dos  (largamente inúteis, quando não perigosos) suplementos dietários de vitamina. Ou, em tempos recentes, Luc Montagnier, um dos descobridores do vírus HIV, que defendeu a "memória da água" e a associação entre vacinas e autismo. Mas há mais, muitos mais.

Por que isso acontece? E quem são os outros exemplos mais acintosos? Tudo isso eu conto numa reportagem para a revista Galileu de setembro, que deve estar chegando às bancas por estes dias e que também inclui um artigo meu sobre picaretagem quântica, na seção Olhar Cético.

A reportagem sobre os nobéis, por falar nisso, traz entrevistas que fiz com físico -- cético, racionalista, ateu e, também, nobelista -- Steven Weinberg, sobre as eventuais excentricidades de seus colegas de prêmio, e com David Gorski, autor do blogScienc…

O que sabemos sobre a Área 51

Graças a um pedido feito pelo Arquivo de Segurança Nacional – nome de um grupo de jornalistas e pesquisadores acadêmicos que cobra do governo dos EUA a liberação de documentos históricos secretos – a CIA divulgou, há duas semanas, um relatório sobre o programa de aviões de espionagem U-2 que inclui informações sobre a infame “Área 51”, uma base militar onde, diz a mitologia ufológica, estariam estocados corpos de alienígenas e tecnologia espacial avançada, como visto no filme Independence Day.

A história dos aliens mortos é, na verdade, apenas um dos itens mais sóbrios no cardápio de conspirações envolvendo a Área 51. Outras versões dão conta de que a base seria, na verdade, a entrada de um reino subterrâneo onde tropas americanas lutam contra alienígenas ou, mesmo, cooperam com eles (e com os nazistas, ou os Illuminati, ou todos juntos) para escravizar a humanidade.
(Para continuar lendo, clique aqui e siga para a página de minha coluna no site da Revista Galileu, a Olhar Cético.)

‘Guerra às drogas’ prejudica avanço da ciência e da medicina

A política internacional de “guerra às drogas” prejudica, quando não impede, o estudo das propriedades medicinais das substâncias banidas, e a proibição de muitas dessas substâncias carece de base científica, diz um artigo de opinião publicado na edição de agosto do periódico Nature Reviews Neuroscience.

Usando como base a lista de substâncias controladas definida pela ONU, os autores argumentam que a relação foi elaborada com critérios “pouco claros e inconsistentes”, que podem ter sido “políticos, e não relacionados à saúde”.
Mais sobre esse assunto, na coluna Telescópio do Jornal da Unicamp, que nesta semana trata também dos efeitos depressivos do Facebook e do destino das maçãs Fuji diante do aquecimento global.

"Campo Total" chegou: até logo, FCB, valeu o peixe!

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Acho que já bloguei, algumas vezes, sobreCampo Total, minha quarta, e muito possivelmente, última antologia pessoal, solo, de contos. Trata-se de um projeto que eu vinha, digamos, afagando já há uns bons anos, e que gostaria que tivesse saído no ano passado, para celebrar meu aniversário de duas décadas como ficcionista (marco o "nascimento" de minha carreira literária com a publicação da Isaac Asimov Magazine 24, em novembro de 1992). Não deu, mas está saindo agora, com toda a pompa. E, se não é meu adeus à literatura de ficção científica, certamente marca um "até logo" ou, pelo menos, um "tempo" na relação.

Explico: os contos de Campo Total não são exatamente novos, mas entre eles estão os últimos que realmente escrevi por inspiração -- isto é, sem ser em resposta a um convite ou encomenda. Histórias que escrevi, enfim, porque queria, de fato, escrevê-las. Para, com o perdão da palavra, me "expressar".

Muito autor por aí responde à pergunta &…

Mudança climática e o colapso da civilização na Era do Bronze

Há cerca de 3.200 anos, uma série de invasões por parte de um grupo misterioso conhecido apenas como os Povos do Mar jogou as civilizações do Mediterrâneo – gregos micênicos, egípcios, levantinos – no caos. A identidade desses “Povos do Mar” ainda é alvo de disputa: tentativas já foram feitas de ligá-los, por exemplo, à Guerra de Troia e ao Êxodo bíblico.

Agora, pesquisadores da França e da Bélgica usam dados obtidos na análise de amostras de pólen antigo resgatadas de escavações em Chipre e na Síria para argumentar que as invasões coincidiram com um período de mudança climática na área. (Mais sobre esse assunto, e outros, como o futuro dos pesticidas e a metafísica dos camundongos,  na minha coluna Telescópio, no Jornal da Unicamp)

Evolução parece premiar quem coopera

Traição e perfídia são estratégias condenadas ao fracasso – no longo prazo. A conclusão, que pode produzir alguns suspiros de alívio (ao menos em quem não for cínico o bastante para se lembrar da frase de John Maynard Keynes, “no longo prazo estaremos todos mortos”), aparece não num trabalho de filosofia, mas de biologia evolutiva, publicado em 1° de agosto no periódico online Nature Communications, do grupo Nature. Os autores, da Universidade Estadual de Michigan, debruçaram-se sobre um surpreendente resultado da Teoria dos Jogos, divulgado em 2012. O teorema apresentado ano passado demonstrava a existência de uma família de estratégias bem-sucedidas, baseadas em traição e extorsão, para o jogo conhecido como Dilema do Prisioneiro. (o resto você lê na coluna Telescópio, do Jornal da Unicamp).

É possível ver o 'paraíso' através de um coma?

O livro Uma Prova do Céu (Sextante), do neurologista americano Eben Alexander III, está há algumas semanas nas listas dos mais vendidos de não-ficção, aqui no Brasil, e tem feito uma bela carreira de best-seller no exterior, também. Alexander tornou-se figura fácil em talkshows e no circuito de palestras nos Estados Unidos. (Continua no site da Galileu.)

"Pura Picaretagem" no IFSP

Na manhã desta quarta-feira, fiz uma palestra, seguida de animado bate-papo, para alunos do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP). Estive lá a convite do professor de Física Marcelo Porto Allen, um amigo dos velhos tempos da USP.

O, digamos, pontapé inicial da conversa com os estudantes, de turmas de ensino médio e de licenciatura em Física e Química, foi o livro Pura Picaretagem, mas o papo logo derivou para temas correlatos, como medicina alternativa (acupuntura e homeopatia, especificamente), as implicações do materialismo para o livre arbítrio e a responsabilidade de jornalistas e educadores em manter as pessoas bem informadas.

Desta vez não tenho um texto da palestra para publicar aqui -- eu só havia preparado algumas notas, um roteiro sinóptico. Em linhas gerais, aproveitei para entrar um pouco numa história que ficou de fora do livro, a da evolução do moderno movimento de "autoajuda", que nasce e evolui mais ou menos junto com a Físic…

Duas colunas e uma entrevista!

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Olá, gente! Estou passando por aqui só para avisar que já entrou no ar o segundo artigo da coluna Olhar Cético, para o website da revista Galileu, que inclusive ganhou um cabeçalho maneiro:

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O texto desta semana é sobre pirâmides financeiras, marketing multinível e o que os dois tipos de "empreendimento" têm em comum. Leia aqui.

E também para anunciar que estou estreando como autor de outra coluna semanal, chamada Telescópio, no Jornal da Unicamp. Esta é uma coluna de notas sobre o que rolou de mais interessante (do meu ponto de vista, obviamente) na literatura científica internacional -- e na literatura internacional sobre ciência -- na semana anterior. Ela aparece aqui.

E, por último mas não menos importante, o Jornal da Unicamp traz uma entrevista que fiz com o professor de Literatura Carlos Berriel, que está lançando um livro sobre a obra do historiador Paulo Prado, o "mentor intelectual" (e financeiro, o cara era rico pra burro) da Semana de 22. O que Berriel…

Depois do papa, ou a ressaca

Bom, tem gente me cobrando uma "avaliação" da visita do apóstolo Chico ao Brasil, então vamos lá. A primeira coisa de que gostaria de tratar é da tal manifestação em que algumas pessoas quebraram uma imagem de santo, usaram um crucifixo como vibrador ou algo assim. Não estava prestando atenção quando aconteceu, então só peguei a espuma e o atrito da discussão que se seguiu, mas o espírito da coisa parece ser o de que alguns objetos tidos como sagrados pelos católicos foram profanados de um modo muito público e com muito mau gosto.

As discussões a respeito, ao menos nas redes sociais, parecem ter misturado três componentes que, a meu ver, deveriam ser tratadas de modo separado: a admissibilidade do que foi feito; a legalidade; e a conveniência.

"Admissibilidade" é uma questão de ética, ou de etiqueta. Não é a mesma coisa que legalidade, porque há coisas admissíveis que são ilegais (por exemplo, uma mulher dirigir automóvel na Arábia Saudita), e há coisas inadmissíve…

"Olhar Cético" na Galileu

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Os leitores mais assíduos (alguém aí?) talvez tenham notado que o blog andou meio às moscas nas últimas semanas. Mas foi por uma boa razão: eu estava juntando material para estrear uma coluna na revista Galileu, chamada, como diz o título desta postagem, Olhar Cético. Como o nome indica, o objetivo é oferecer uma perspectiva cética sobre assuntos que a mídia em geral costuma tratar com muito mais oba-oba do que análise, propriamente, racional.

Muitas pautas envolverão questões científicas ou relacionadas ao ceticismo "clássico" (astrologia, óvnis, monstros), sem dúvida, mas também não pretendo fugir de temas mais quentes e polêmicos, como os ligados à medicina dita "alternativa", fraudes financeiras, manipulação de dados por políticos e coisas quetais.

O primeiro texto, disponível na edição de agosto, que começa a circular por esses dias, é uma espécie de post scriptum da reportagem que escrevi para a edição do mês passado da revista, sobre teorias da conspiração,…

Minha palestra na UFSM

Nesta segunda-feira, dia 22, participei, como palestrante, do lançamento da revista Arco, publicação de divulgação científica da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul. A editora-chefe Luciane Treulieb me fez o convite via Facebook -- eis aí as redes sociais funcionando -- e, como não me mandaram de volta para casa em lombo de burro (e ainda me pagaram um jantar!), creio que o que eu tinha a dizer não foi lá muito impertinente ou ofensivo. Publico, abaixo, o texto que havia preparado para a palestra e que, como de costume, não corresponde exatamente ao que eu disse, mas chega bem perto. 


“A ciência é importante demais para ser deixada aos cientistas”
Lee Nisbet
Quando a Luciane me convidou para falar com vocês nesta festa de lançamento da revista Arco, o tema que ela sugeriu foi: jornalismo científico e o papel da universidade na divulgação da ciência.

Trabalho com jornalismo científico e divulgação há vinte anos, e estou dentro de uma universidade, a Univers…