quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Bienal do Livro: onde me encontrar (ou evitar)

Só porque fiz uma postagem dizendo como a Bienal Internacional do Livro andava ficando chata, eis que me surgem convites para tentar dar uma animada nas coisas: no fim, participarei de dois eventos no Anhembi, ambos na tarde de domingo, dia 12. Sei que também é o Dia dos Pais, mas ambos são depois do almoço, então, não tem desculpa, não senhor (ou senhora).

Minhas participações na 22ª Bienal Internacional do Livro serão as seguintes:

15:00
Os desafios de escrever Ficção Científica para crianças e jovens (palestra/bate papo no estande da Biblioteca Nacional).

Creio que dá para desconfiar que a conversa toda vai girar em torno do meu romance juvenil Nômade, que trata de um grupo de adolescentes tentando descobrir o que diabo teria dado errado na gigantesca nave espacial em que vivem. Curiosamente, porém, tanto Nômade quando meu segundo livro de contos, o artigo de sebo Tempos de Fúria (em processo de reedição, revista e ampliada), foram adotados como leitura para o Ensino Médio numa escola lá da minha terra, Jundiaí (SP). 

Não vi a Autores Associados, editora do Nômade, na lista oficial de expositores da Bienal, mas espero que quem se interessar pelo livro consiga encontrá-lo em algum recôndito do pavilhão do Anhembi. Eventuais autógrafos serão, é claro, distribuídos gratuitamente, com um sorriso.

17:00
Sessão de autógrafos do Space Opera II no espaço da Editora Draco, no estande da Vermelho Marinho.

A Draco é a editora que vem publicando boa parte do que tenho escrito de 2005 para cá, a começar pelo romance Guerra Justa. Ela tem investido bastante em antologias temáticas, e trabalhos meus apareceram em várias delas. Estou, por exemplo, na trilogia Vaporpunk, Dieselpunk e Solarpunk, sendo que o último volume ainda  não foi lançado, além de Fantasias Urbanas e de ter coeditado um volume de aventuras de Sherlock Holmes criadas por brasileiros

Mas esta é minha primeira participação na série Space Opera, idealizada por Hugo Vera e Larissa Caruso. Para os não-nerds (há algum seguindo este blog?), "space opera" é o subgênero "espetaculoso" da ficção científica, geralmente envolvendo questões de importância cósmica, astronaves enormes, guerras entre planetas ou galáxias, etc. Meu conto, o último do livro (e não o primeiro, como havia imaginado), mistura trans-humanismo, arqueologia e inteligência artificial, entre otras cositas más.

Estas, então, são minhas participações oficiais no evento. Além do Nômade e dos livros da Draco, talvez dê para achar na Bienal minha obra de não-ficção, O Livro dos Milagres, ou as duas antologias da gaúcha Não Editora de que já participei, os volumes 2 e 4 da série Ficção de Polpa. Autógrafos e sorrisos também estarão disponíveis para todos esses títulos.

Para quem for, então, até lá!

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Diploma obrigatório para jornalista: soy contra

Parece que o lobby da categoria está forte, e a obrigatoriedade do diploma universitário para o exercício da profissão de jornalista vai voltar. Como jornalista profissional diplomado, formado, lá se vão quase 20 anos, pela pujante Escola de Comunicações e Artes da insigne Universidade de São Paulo, portador de diploma de bacharel em Comunicação Social habilitado para o exercício do Jornalismo devidamente registrado no Ministério do Trabalho (MTb 23.563, de 17 de novembro de 1993), sou provavelmente um dos supostos "beneficiados" pela volta do diploma obrigatório. O que não me impede de dizer que considero a medida uma asneira de proporções colossais, continentais, quiçá, até, cósmicas.

Para quem é de fora, talvez seja difícil entender as paixões que correm, entre os jornalistas, em torno do tema. Nos sindicatos e outros órgãos de representação da categoria, a necessidade do diploma é um dogma, tão sólido quanto o da virgindade de Maria entre os católicos. 

Quando um sindicato de jornalistas convoca um "debate sobre a questão do diploma", o que se tem não é o que o nome sugere (uma discussão a respeito da conveniência, para a sociedade brasileira, da existência do curso superior específico ou da obrigatoriedade burocrática do documento de conclusão), mas uma série furiosa de diatribes sobre como a sacrossanta obrigatoriedade deve ser mantida a qualquer custo.

Antes de prosseguir, devo confessar que sempre desconfiei de regulamentações profissionais. Sistemas criados sob o pretexto de proteger a sociedade em geral dos incompetentes e dos charlatões quase que inevitavelmente acabam fazendo o contrário: protegendo os incompetentes e charlatões contra a sociedade em geral. 

Até acho que, em alguns casos, a regulamentação é um mal necessário para dar algumas garantias mínimas à sociedade -- é reconfortante, para dizer o mínimo, poder imaginar que o médico que consultamos familiarizou-se com os rudimentos da anatomia humana, ou que a casa em que moramos foi projetada com algum respeito às leis da Física -- mas o fato de alguém ser portador de um diploma de Jornalismo garante o quê, exatamente? Que se sabe conjugar o verbo "haver"? Nem isso.

A exigência do diploma de Jornalismo nunca funcionou como filtro de qualidade. Ela só criava dificuldades artificiais que serviam para alimentar um pujante mercado de facilidades -- no caso, faculdades meia-boca que descarregavam semianalfabetos diplomados no mercado à taxa de centenas a cada ano. 

Existe ainda um mito de que um aviltamento da profissão de jornalista se seguiu à abolição, pelo STF, do diploma obrigatório. Esse "aviltamento" pode ser interpretado de duas formas -- do profissional (agora "qualquer um" pode ser jornalista) ou das condições de trabalho (agora os patrões podem "fazer o que quiserem" com os profissionais). Eis aí dois argumentos que, sério, fazem-me rir.

Primeiro, o do "qualquer um": tendo trabalhado mais de 15 anos na profissão antes do fim do diploma obrigatório, posso confirmar que a proporção de semianalfabetos nas redações não aumentou. A única diferença é que, antes, eram todos semianalfabetos com diploma

Segundo, o aviltamento pelos patrões: redações cheias de moleques entusiasmados dispostos a trabalhar por uns trocados para o busão e pela adrenalina de ver o nome no alto da página, deixando-se explorar imbecilmente em jornadas desumanas de 12 horas ou mais, não foram inventadas com o fim do diploma obrigatório. Eu sei, porque fui um desses moleques, assim como boa parte dos meus colegas (diplomados) de geração. A única diferença, hoje, é que os jovens não são, necessariamente, estudantes de jornalismo. 

Grande coisa. 

O jornalismo só deixará de ser uma profissão predatória e aviltada quando os jornalistas criarem tutano, e para isso o diploma é irrelevante. Tenho dificuldade em entender como o mesmo tipo de cara que peita uma tropa de jagunços em Rondônia para escrever sobre trabalho escravo depois se caga de medo do patrão, na hora de contemplar a possibilidade de fazer greve, ou de se recusar a cobrir férias de graça. Mas isso é problema para psicoterapeuta, coisa que diploma nenhum resolve.

Existe, claro, a possibilidade de que o diploma funcione como reserva de mercado: inútil para evitar a contratação de analfabetos e invertebrados, ao menos limitaria o número de analfabetos e invertebrados disponíveis no mercado, o que tende a fazer subir o preço da unidade. Mas essa é uma justificativa mesquinha, que interessa apenas à banda medíocre da corporação. E subestima a pressão de mercado por mais (e piores) faculdades.

Por fim: é perfeitamente concebível que um curso de jornalismo em nível de bacharelado seja capaz de pegar um jovem vocacionado para a área e, a partir dele, oferecer ao mercado e à sociedade um profissional melhor do que esse mesmo jovem seria, se tivesse cursado alguma outra coisa, ou mesmo se não tivesse cursado nada.

Desde a discussão crítica do papel da comunicação de massa na civilização contemporânea -- para criar um profissional consciente do poder da arma que tem nas mãos -- até a instrução em coisas comezinhas como lógica e pensamento crítico, passando por uma boa bateria de disciplinas de outras áreas, como economia, ciências, artes; até a experiência do fazer jornalístico sob a orientação didática de pensadores da área e de profissionais tarimbados.

Mas o diploma obrigatório não estimula a criação de cursos assim, muito antes pelo contrário: o que a imposição cartorial faz é estimular o surgimento de lojas de diploma, mimeógrafos de títulos mais preocupados em explorar brechas no sistema de credenciamento do MEC do que em formar bons profissionais.

O diploma obrigatório é um erro, e o tão criticado fim da obrigatoriedade não passa de um espantalho, um bode expiatório para mazelas que são muito anteriores à abolição -- e que não serão resolvidas, nem mesmo mitigadas, com a volta do carimbo burocrático.

Meus "5 mais" e a Bienal de SP

Para quem perdeu no fim de semana: o blog da Editora Draco publicou uma pequena entrevista comigo, onde faço alguns comentários rápidos a respeito dos escritores que me são mais caros -- deveriam ser apenas cinco (o nome da seção é "Top 5"), mas dei um jeito de embutir alguns a mais. Dá para acessar o material neste link.

A imagem ao lado, por falar nisso, é uma ilustração de Frank Frazetta mostrando Kane, o espadachim imortal, herói de alguns poucos romances e contos de fantasia escritos pelo americano Karl Edward Wagner. A saga de Kane é uma de minhas séries de fantasia favoritas, mas acho que nunca saiu nada dele aqui no Brasil. Faço um comentário a respeito do que mais admiro nas desventuras do grandalhão ruivo lá no Top 5.

Indo da fantasia para a ficção científica, neste domingo, 12, estarei na Bienal Internacional do Livro de São Paulo para autografar exemplares de Space Opera 2, livro de contos em que tenho participação (se não estou enganado, minha história abre o volume), e talvez também de minha novela solo As Dez Torres de Sangue e, por que não?, o romance Guerra Justa.

A sessão de autógrafos acontece no estande da editora Vermelho Marinho, rua O-69, a partir das 17h. Na Bienal de 2010 eu estava por lá lançando o romance de ficção científica juvenil Nômade, o que sugere que ando mantendo um ritmo até que razoável de publicações. Espero conseguir lançar ainda mais um volume solo de contos neste ano, para marcar minhas duas décadas como escrevinhador de ficção. A ver veremos.

Falando em Bienal do Livro, sou obrigado a confessar que a cada ano vejo menos graça no evento, que frequento religiosamente desde 1990. A coisa toda parece ter virado uma enorme galeria de megastores, todas vendendo caralhadas dos mesmos best-sellers de sempre, acotovelando-se em meio a saldões de revistas de tricô e barraquinhas de livros religiosos.

Não me interesso por tricô, e se eu realmente quiser comprar 50 Tons de Cinza ou alguma coisa de Chico Xavieré muito mais prático ir até a livraria da esquina, à banca de jornais ou pedir pela internet, o que me poupa do risco de ser prensado num interminável corredor polonês formado por hordas de bárbaros semialfabetizados empunhando clavas de algodão-doce, de um lado, e gente metida a besta fazendo cosplay involuntário de escritor beatnik, do outro.

Na Bienal de 2010 ainda consegui garimpar alguns títulos preciosos nos estandes da 34 Letras e da Zahar mas, no geral, o desconforto e a superlotação parecem estar crescendo na mesma proporção em que o número de oportunidades para encontrar coisas inesperadas ou interessantes cai. Muitos de meus livreiros e editores favoritos nem participam mais do evento com estandes próprios.

Quando eu estava na faculdade, um professor certa vez disse que a imprensa brasileira -- na época, iniciando seu tórrido caso de amor com textos cada vez mais curtos, infográficos cada vez mais vistosos e redações cada vez mais cheias de estagiários -- estava buscando a quadratura do círculo, ao tentar criar um produto impresso que agradasse à massa que não gostava de, ou não sabia como, ler. Dizia o professor que só o que os jornais conseguiriam seria perder o respeito de quem tinha apreço pela palavra escrita, e sem conquistar nada em troca, já que o grande público continuaria grudado na televisão (a internet nem tinha chegado, ainda).

A Bienal, agora, parece estar, do se jeito, indo pelo mesmo caminho. Mas, enfim, a esperança flui eterna no coração dos tolos, então estarei lá, mais uma vez. E, mesmo que o resto da feira falhe miseravelmente em oferecer coisas inesperadas ou interessantes, o cantinho da Draco certamente fará sua parte para defender a retaguarda da exuberância criativa contra a morte da luz. Embora eu seja, é óbvio, mais do que suspeito para dizer isso.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Moralidade evolui

Da próxima vez que alguém lhe disser que, sem Deus, não haveria um senso de certo e errado no mundo, pergunte se a pessoa tem uns 15 minutos livres e exiba este genial vídeo:


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A Curiosidade pousou

Primeira visão do solo de Marte pela Curiosity
Na madrugada desta segunda-feira, 6 de agosto de 2012, habitantes do planeta Terra fizeram descer um veículo do tamanho de um Fusca, movido a eletricidade produzida por um gerador nuclear, na superfície de outro planeta, a 250 milhões de quilômetros daqui. Chamado oficialmente de Laboratório Científico de Marte, o veículo, teleguiado, é mais conhecido pelo "nome de fantasia" Curiosity ("Curiosidade").

Em sua chegada a Marte, durante aproximadamente sete minutos, a sonda executou uma série de manobras -- programadas meses antes -- que incluíram o mergulho na atmosfera marciana, a liberação do escudo que a protegia do atrito com o ar rarefeito de Marte e a ativação dos retrofoguetes que a mantiveram a flutuando enquanto um guindaste voador descia-a, delicadamente, na superfície do planeta, por meio de cabos: a Curiosity é pesada demais (e a atmosfera marciana, excessivamente tênue) para que o pouso pudesse ser feito simplesmente por meio de paraquedas.

Por último, mas não menos importante, o guindaste teve de ser eliminado, com um último jato de seus retrofoguetes projetando-o para longe do veículo -- afinal, não faria sentido o robô descer em segurança apenas para ser esmagado pelo equipamento de apoio, caindo do céu quando seu combustível acabasse!

Repetindo, só para deixar claro: todo esse procedimento, da entrada violenta ao pouso suave, e incluindo a partida do guindaste, ocorreu em outro planeta, e sem nenhum tipo de intervenção humana direta -- que, de resto, teria sido impossível. Dada a limitação imposta pela velocidade da luz, nenhum comando terrestre teria tido tempo de chegar à sonda, após o início da penetração na atmosfera, antes que o pouso estivesse consumado.

Tudo se deu, portanto, de modo automático, conforme programado ainda antes da partida do jipe Curiosity da Terra, no ano passado.

Agora, imagine: que meros mortais como nós, que pagam aluguel, têm hemorroidas e comem fast-food, foram capazes de prever e implementar, com precisão espantosa e meses de antecedência, todos os passos necessários para controlar exatamente o que aconteceria em outro mundo, a milhões de quilômetros de distância, quando ninguém estivesse olhando, quando ninguém poderia estar olhando.

A simples contemplação do conceito, de suas implicações,é de tirar o fôlego. Poucos poemas, pouquíssimas sinfonias, são tão chocantes, ligam de modo tão potente o cósmico ao comezinho, deixam tão claro que a transcendência está em nossas mãos, em nossa capacidade para a arte, o trabalho, a ciência.

Minha carreira jornalística tem uma curiosa ligação com a exploração de Marte. Logo depois de ter sido contratado pela Agência Estado, cuidei de acompanhar as aventuras do primeiro jipe-robô enviado ao planeta vermelho, o pequenino Sojourner, que também foi o autor das primeiras fotos de outro planeta transmitidas pela internet. Depois dele vieram Spirit, Opportunity, Phoenix; as sondas orbitais Mars Reconnaissance Orbiter, com sua fantástica câmera HiRise, fonte de algumas das mais estonteantes imagens interplanetárias, e Mars Odissey; além da europeia Mars Express.

Também acompanhei diversos fracassos, como a recente Phobos-Grunt, da Rússia, que sequer conseguiu deixar a órbita terrestre; o robô britânico Beagle, que provavelmente se espatifou em Marte, numa queda descontrolada, mesmo destino do americano Mars Polar Lander; o tragicômico caso da sonda Mars Climate Orbiter, que fracassou porque o computador de bordo havia sido programado no sistema métrico, com quilogramas, metros, etc., mas as ordens enviadas da Terra usavam os sistema anglo-americano de libras e pés.

Segui ainda os esforços heroicos do Japão para tentar salvar sua sonda Nozomi, lançada em 1998. Depois de apresentar defeito numa válvula de combustível, o satélite se viu incapaz de obter a energia necessária para chegar a Marte por meio da rota traçada originalmente, mas cientistas japoneses seguiram tentando encontrar um meio mais econômico de levar a Nozomi a seu destino. Os esforços só foram abandonados em 2003, e hoje a sonda gira, perdida, em órbita do Sol.

Vários bilhões de dólares já foram gastos na exploração de Marte, e volta e meia aparece alguém perguntando "por quê", questão que geralmente vem acompanhada por algum tipo de menção ferina às criancinhas famintas da África e ao coração duro das potências capitalistas.

Pondo de lado os fatos de que foram os soviéticos quem começaram com esse negócio de gastar dinheiro no espaço e de que todo mundo é livre para vender tudo o que tem e doar o dinheiro para o Unicef, caso se deseje, é preciso chamar atenção para o dado de que a expansão das fronteiras do conhecimento é um valor em si -- tão precioso, e em alguns momentos até mais precioso, que a arte, a literatura, o esporte. É curioso que ninguém sugira que os Jogos Olímpicos, a Fórmula 1 ou as grandes orquestras do mundo sejam suprimidos e o dinheiro, revertido para os Médicos Sem Fronteiras. Aposto que nem os Médicos Sem Fronteiras gostariam.

Além disso, e percebo que algumas pessoas têm uma profunda dificuldade em assimilar a ideia, a relação entre progresso científico e progresso tecnológico, e ente progresso tecnológico e mudança social, não é linear. A busca por uma lâmpada elétrica mais eficiente levou à Física Quântica, que por sua vez levou à bomba atômica, à radioterapia para câncer e à internet. O processo é caótico e imprevisível, e as únicas opções que temos é abraçá-lo ou voltar à Idade Média.

Exploramos Marte porque ele está à mão, porque é parte do Universo, assim como nós, e quanto mais entendermos do Universo, mais entenderemos de nós mesmos. Exploramos Marte porque podemos. Exploramos Marte porque ele está lá. Exploramos Marte, e Júpiter e Saturno e a Lua e as estrelas e tudo mais porque estão lá, e porque estamos aqui. Exploramos o Universo pelo mesmo motivo que fazemos música, escrevemos livros e pintamos quadros: porque somo humanos.