sexta-feira, 25 de maio de 2012

The Dragon has landed!



Bom, não exatamente "landed", mas a cápsula Dragon, criada pela companhia SpaceX, acaba de se ligar à Estação Espacial Internacional (ISS). Trata-se da primeira atracagem de um veículo privado à Estação, e de uma grande vitória para o plano do presidente Obama de liberar a Nasa da tarefa de abastecer a órbita terrestre, permitindo, assim, que a agência de concentre em objetivos mais ambiciosos.

A Dragon que fez o aporte histórico desta sexta-feira transporta apenas carga, mas a cápsula pode, em tese, ser reconfigurada para levar astronautas. "Pegamos um dragão pelo rabo", disse um dos astronautas, quando a manobra de captura da cápsula pelo braço robótico da ISS foi completada.

Escrevi mais longamente sobre o contexto histórico e tecnológico da missão aqui, mas só para constar: este é o "momento Sputnik" da iniciativa privada. Cabe, agora, aguardar o "momento Gagárin".

Julgando revelações, ao estilo do Vaticano


Revelações e aparições místicas são filosoficamente interessantes porque levantam, pelo menos, duas questões espinhosas: a primeira é o abismo entre experiência e narrativa -- a pessoa que tem a revelação sente alguma coisa e depois descreve aquilo que sentiu como, digamos, "Deus falou comigo", mas fica em aberto a questão, o que é isso que se descreve como "Deus falando?" O que a pessoa realmente sentiu, afinal? Em poucas situações os limites da linguagem são tão claros (e tão frustrantes). Por exemplo, quando Paulo escreve, na Segunda Carta aos Coríntios, que foi "arrebatado ao paraíso, e lá ouviu palavras inefáveis", ele está descrevendo o quê, exatamente?

O vácuo entre fato e relato leva algumas pessoas a imaginar que toda experiência mística é essencialmente a mesma, e que apenas as descrições variam, por conta do contexto cultural do visionário. Esse essencialismo tem defensores tanto entre os místicos (que encaram o suposto núcleo comum da experiência como uma manifestação da Verdade Única) quanto entre materialistas (que buscam um a causa neurológica comum subjacente). Mas a hipótese essencialista está longe de ser consensual, enfrentando desafios graves nos dois campos.

A segunda questão é a da veracidade ou, mais exatamente, da verificação. Creio que foi David Hume quem primeiro apontou o problema: se Deus fala com você, talvez você tenha bons motivos para acreditar, mas eu só tenho a sua palavra, e quem me garante que você não está louco, iludido ou mentindo?

Em seu clássico artigo de 1978, Language, Epistemology, and Mysticism, o filósofo Steven T. Katz afirma que "nenhuma proposição verídica pode ser gerada com base em experiência mística" e que "parece certo que a experiência mística não é, e não pode ser, base lógica para qualquer afirmação definitiva sobre a natureza ou verdade de qualquer posição, religiosa ou filosófica".

Curiosamente, foi também na década de 70 -- quatro anos antes da publicação de Katz -- que a Congregação para a Doutrina da Fé (a versão "tucanada" da Inquisição) estabeleceu os critérios de avaliação da Igreja Católica para fenômenos como aparições e revelações religiosas. Embora tenha circulado amplamente desde então (alguns de seus pontos são mencionados no meu Livro dos Milagres), o documento só foi publicado "oficialmente" em tempos recentes, no site da Congregação.

Com sua estrutura hierarquizada, a Igreja Católica vive uma tensão constante entre a necessidade de preservar sua estrutura de poder e sua pureza doutrinária, de um lado, e o fervor individual e a religiosidade popular, do outro. Fervor e movimentos populares são necessários para manter viva a fé e garantir a sobrevivência da organização nas próximas gerações, mas também são uma ameaça, já que podem, eventualmente, solapar o status-quo (Jesus, afinal, pode ter sido apenas um judeu especialmente fervoroso, e veja o que o judaísmo "ganhou" com isso).

Então, é preciso abrir espaço para místicos e visionários, se não por qualquer outro motivo, porque ajudam a atrair multidões e encher os cofres. Mas é preciso, também, que o espaço dado a eles tenha limites estritos e seja, sempre, muito bem patrulhado. Como fazer isso?

Embora o primeiro critério oferecido pelo documento da Congregação, "certeza moral, ou ao menos uma grande probabilidade do fato, adquirida por meio de séria investigação", pareça sólido, ele é, na verdade perfunctório -- primeiro, porque não há nenhuma elaboração metodológica a respeito do que consiste uma "séria investigação"; segundo, por conta do que vem em seguida, como a exigência de "doutrina teológica e espiritual verdadeira, livre de erro", e dos "critérios negativos" (isto é, indicadores de falsidade) apresentados, com destaque para: "Erros doutrinais atribuídos ao próprio Deus, à Abençoada Virgem Maria, ou a algum santo em suas manifestações".

Agora, paremos um pouco para pensar nisso. Digamos que um dia Deus apareça para o papa e lhe diga que, poxa, na verdade não há nada de errado em uma mulher consagrar a hóstia -- que mulheres podem muito bem ser padres (madres?) e rezar missas. O papa terá de concluir que Aquele Cara Barbudo de Camisola falando com ele não é Deus, porque, veja só, a afirmação contraria a doutrina. Pelo critério, se houver algo errado na doutrina católica, nem que seja um detalhezinho besta qualquer, não vai adiantar nada Deus, Maria e os santos todos aparecerem juntos para avisar.

O documento da Congregação também diz que, no longo prazo, é preciso prestar atenção "na fecundidade do fruto espiritual gerado pela nova devoção, a fim de expressar um julgamento sobre sua autenticidade e caráter sobrenatural". Elaborando sobre o tal fruto espiritual, o texto menciona "oração, conversão, testemunho".

Então, resumindo: para a hierarquia católica, uma experiência mística é real se, e somente se, ela (a) repetir o que a Igreja já vinha dizendo e (b) der bons "frutos", isto é, levar as pessoas fazer o que a Igreja já queria que elas fizessem. O que, fundamentalmente, esvazia a revelação de qualquer potencial transformador, e me parece uma forma extremamente cínica e manipulatória de exploração da credulidade popular para ganho próprio. Mas isso deve ser só porque estou olhando de fora.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Abuso sexual e as armadilhas da memória

Juro que no domingo à noite eu estava assistindo à primeira temporada de The Office no Netflix, mas o tal depoimento da Xuxa ao Fantástico é um daqueles eventos de mídia de que não há como escapar: seja pelo comentário no rádio, a nota no jornal, o bafafá nas redes sociais. Então, pelo que depreendi, ela disse ter sofrido abuso sexual na infância. Ao que se seguiu, compreensivelmente, o coro de "é importante vir a público", "é importante denunciar", a "palavra da vítima tem grande valor", etc., etc.

O que, é óbvio, está muito certo. Se a vítima não fala, a pedofilia tende a ficar impune. Afinal, crimes desse tipo geralmente são cometidos em situações de privacidade e mantidos em segredo. E o problema é bem real: de acordo com estudo publicado em 2006 pela ONU, em todo o mundo 7% dos meninos e 14% das meninas menores de 18 anos sofrem algum tipo de abuso sexual. Em números absolutos, isso é um tanto de gente maior que a população do Brasil. Só de crianças. Vitimadas.

Mas -- sei que é chato, isso, esse negócio de "mas" -- é preciso tomar cuidado para não transformar um objetivo importante e essencial numa cruzada, numa caça às bruxas. Porque crianças são sugestionáveis, e memórias da infância, quando evocadas por adultos, são facilmente distorcidas e confabuladas.

Um exemplo dramático de sugestionamento infantil é o caso do Pânico Satanista que varreu os Estados Unidos no início dos anos 80, segundo o qual crianças estariam sendo molestadas em rituais praticados por professores e pais que seriam, secretamente, adoradores do diabo. Em alguns casos, crianças simplesmente passaram a inventar histórias para agradar aos investigadores -- intuindo que eles queriam ouvir, deixando-se conduzir pelas perguntas carregadas de insinuações. A possibilidade de um caso de grande repercussão, ou uma mera suspeita, gerar histeria em massa, com supostas "vítimas" pescando detalhes dos relatos de outras, não deve ser menosprezada.

Como diz um relatório do FBI, assinado pelo especialista Kenneth Lanning:

"Crianças raramente mentem sobre abuso ou exploração sexual, se uma mentira for definida como uma afirmação feita com o propósito deliberado e malicioso de enganar. O problema é a supersimplificação da afirmação. Só porque a criança não está mentindo, isso não significa necessariamente que a criança esteja contando a verdade. Creio que, na maioria dos casos, a vítima não está mentindo. Está relatando que acredita ter acontecido".


O que nos traz à questão das falsas memórias em geral, incluindo as da infância que às vezes surgem na mente dos adultos. Um exemplo clássico é o do psicólogo Jean Piaget, que tinha uma memória claríssima de quase ter sido sequestrado quando criança -- incluindo a luta corporal de sua babá com o bandido, e o corte do uniforme do policial que o salvou. Anos depois, porém, a babá confessou que havia inventado tudo. Como Piaget escreveu: "Devo ter, portanto, enquanto criança, ouvido a narração da história... e projetado isso no passado sob a forma de memória visual, que eram uma memória de uma memória, mas falsa".

O próprio Freud já havia notado que muitas memórias adultas de abuso infantil "eram apenas fantasias que meus pacientes inventavam ou que eu, talvez, tenha imposto a eles". Se o arcabouço teórico que Freud desenvolveu a partir daí -- o do Complexo de Édipo -- é altamente questionável, o dado empírico em si, de que memórias, principalmente da infância, podem ser, na verdade, fruto de fantasia, confirmou-se inúmeras vezes nas décadas seguintes.

Mais recentemente, experimentos conduzidos pela psicóloga americana Elizabeth Loftus  demonstraram que é relativamente simples implantar falsas memórias da infância em adultos, por meio de sugestão. Em um caso, a memória implantada foi a de haver encontrado o Pernalonga na Disneylândia.

Tudo isso quer dizer que, diante de uma acusação de abuso sexual infantil, a dicotomia que automaticamente surge -- ou a suposta vítima é uma mentirosa sem-vergonha, ou o acusado é um monstro pedófilo -- não é necessariamente verdadeira.

Parafraseando o especialista do FBI, quando as pessoas decidem acreditar em algo que só afeta a elas mesmas, qualquer crença é perfeitamente legítima. Mas quando a crença passa a ter efeitos sociais, jurídicos e econômicos, envolvendo até mesmo opróbio e privação de direitos, é preciso ter cautela, manter a cabeça no lugar... E realizar uma investigação competente, sem histeria e sem conclusões preestabelecidas.

terça-feira, 22 de maio de 2012

O voo do Dragão


O título desta postagem é idêntico, se não me engano, ao do filme em que Bruce Lee mói Chuck Norris de porrada no Coliseu de Roma, mas não é disso que vou tratar hoje, e sim do lançamento bem-sucedido da cápsula Dragon, a bordo de um foguete Falcon 9, ocorrido durante a madrugada. Se, nos próximos dias, a missão Dragon  se completar também com sucesso, estaremos assistindo a um feito histórico.

Caso a Dragon realmente chegue a se acoplar à Estação Espacial Internacional (ISS) no fim de semana, existirão cinco entidades, em todo o Universo, com a capacidade tecnológica necessária para a acessar o único posto orbital tripulado da Terra: os governos russo, americano e japonês, a União Europeia e uma empresa privada.

Tanto a Dragon quanto o foguete Falcon são produtos de uma companhia particular, a SpaceX, e o lançamento se encaixa na visão do presidente Barack Obama de "privatizar", ou "terceirizar", o acesso humano à órbita terrestre.

Embora a Dragon que entrou em órbita hoje esteja transportando  apenas carga, a cápsula pode -- em tese -- ser reconfigurada para levar astronautas. Efetivamente, a Dragon da SpaceX está posicionada para se tornar o sucessor oficial do ônibus espacial da Nasa.

Alguém poderia argumentar que o verdeiro momento histórico ocorrerá de fato quando, e se, virmos uma nave privada desembarcar gente na ISS, mas o voo desta terça-feira é um primeiro passo essencial nessa direção.

O eventual sucesso da Dragon e do Falcon 9 provavelmente vai estimular uma nova rodada de acalorados debates entre estatistas e privatistas -- neste caso, contrastando a eficiência da SpaceX com a morosidade paquidérmica da Nasa, cujo sistema equivalente (cápsula Órion e foguete Ares I) perdeu-se em meio a atrasos escandalosos e absurdos estouros de orçamento. Mas a história é um pouco mais complicada do que isso.

Primeiro, a arquitetura que a Nasa vinha preparando era muito mais complexa, já que envolvia ainda um foguete de grande capacidade de carga (o Ares V) e outros sistemas necessários para um retorno de astronautas à Lua. O mandado da SpaceX é muito mais simples: dar acesso à ISS, ao menor preço possível. Segundo, a Nasa, depois de ter recebido a missão de implementar o Programa Constellation -- do qual o sistema Órion-Ares fazia parte -- nunca teve o orçamento necessário para levá-lo adiante. Então, a comparação é meio injusta.

Se existe uma lição a tirar da comparação entre o público e o privado nessa história toda, é o velho adágio de que o "ótimo" é inimigo do "bom": assim como os ônibus espaciais -- que tinham de ser naves de carga, de tripulantes, funcionar como laboratórios orbitais e como oficinas mecânicas (para, por exemplo, realizar reparos no Hubble) -- o Constellation foi vítima do próprio gigantismo e da falta de vontade política.

A Dragon também, em tese, pode operar como nave de carga, laboratório e transporte de passageiros, mas não tudo ao mesmo tempo. Diferentes configurações servirão a diferentes propósitos, o que simplifica um bocado as coisas. O Constellation até que tentou uma abordagem semelhante, baseada em módulos intercambiáveis mas, amarrado ao lastro de ambições pouco realistas do restante do programa, não foi à frente.

Também é bom lembrar que a "privatização" do espaço não foi uma decisão ideológica do governo Obama, e sim uma imposição trazida pelos fatos: o plano de reestruturação dos voos espaciais tripulados elaborado pelo governo George W. Bush após o desastre da Columbia, em 2003, simplesmente não foi financiado como deveria. Quando Obama chegou, apenas as metas negativas -- aposentadoria dos ônibus espaciais,  desativação da ISS -- estavam em condições de ser implementadas. As positivas, incluindo o Programa Constellation e o retorno à Lua, encontravam-se em frangalhos.

Com o tsunami da crise econômica batendo de frente, minha impressão é a de que o presidente atual fez a única coisa que poderia ter feito, e que incluiu a renovação do compromisso com a Estação Espacial, que pelo plano original seria abandonada para queimar na atmosfera em 2015, mas que agora voará até 2020.

Também há a esperança de que o clima de competição capitalista engendrado pela tal "privatização" (a SpaceX não tem nenhum tipo de monopólio na área: outras empresas podem tentar criar cápsulas e foguetes compatíveis com a ISS, testá-los e tentar vender seus serviços) de algum modo estimule a economia, a criatividade e a inovação tecnológica. A ver veremos.

Se a Dragon for bem-sucedida em sua missão atual e o pessoal da Planetary Resources realmente conseguir botar um de seus telescópios espaciais em órbita nos próximos anos, a segunda metade desta década poderá assistir a uma espécie de renascença espacial, agora pelas mãos de empresas criadas por gente que era criança, ou talvez ainda nem tivesse nascido, quando Neil Armstrong pisou na Lua.

Mas tudo depende, claro, do que a Dragon vai fazer no restante da semana. A decisão sobre se a nave tem condições de tentar ligar-se à ISS deve ser tomada no quarto dia da missão, o que seria neste sábado. A nós, aqui embaixo, o que resta é esperar.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Mais alguns correlatos sociais da religiosidade

Semana passada, por conta desta postagem, acabei montando uma planilha no Google Docs com a taxa de religiosidade de mais de uma centena de países, tal como apurada numa pesquisa Gallup feita na segunda metade da década passada, e com as taxas de homicídio intencional desses mesmos países, segundo levantamento do jornal britânico The Guardian. Isso permitiu concluir que os países onde 50%, ou mais, da população considera a religião importante têm, em média, três vezes mais assassinatos que países onde menos de 50% da população leva a religião a sério.

Agora, já tendo organizado a coisa toda desse jeito, me parece uma pena não explorar um pouco mais esses dados, e compará-los a outros: PIB e IDH me pareceram as escolhas óbvias, e é deles que tratarei nesta postagem. Antes, porém, vale a pena citar algumas limitações.

A principal ausência -- são 138 países, ante 187 que costumam aparecer nas listagens de órgãos da ONU -- é o Reino Unido (os números do Guardian, baseados no UN Data, quebram os dados de violência em Escócia, Inglaterra, etc.). Mas suponho que se essa ausência vier a provocar alguma distorção nos resultados gerais, ela provavelmente será a favor da hipótese de que a religiosidade é uma força social para o bem: a taxa de britânicos que considera a religião importante é de meros 26,5%, e o país tem tanto um IDH muito elevado (acima de 0,8) quanto um PIB per capita idem (US$ 36.090, PPP). Na semana passada, eu também ainda não tinha o dado de religião da China, mas encontrei o número no Gallup World View e ele está sendo levado em conta, agora.

Outra questão é a disparidade das datas de coleta dos dados usados: os números da pesquisa Gallup são de 2009 (2011, no caso da China), PIB e IDH são de 2011, os números de homicídio vão de 2003 a 2005. Enfim, uma confusão, mas com exceção dos assassinatos, todas as bases refletem, de algum modo, o mundo pós-crise de 2008.

Enfim, aqui abaixo estão os mapas. O primeiro é o da importância da religião -- porcentagem dos entrevistados de cada país que responderam "sim" à pergunta do Gallup, "a religião é importante na sua vida cotidiana?", e onde "1" corresponde a 100%. Os espaços brancos refletem países sem o dado:







 A seguir, a taxa de homicídio por 100.000 habitantes:


Uma análise estatística encontra um coeficiente de correlação de 0,34 entre as duas bases de dados -- religiosidade e violência. Tradicionalmente, isso seria interpretado como uma correlação fraca entre as duas variáveis, indicando que quando uma tem valor alto, a outra sofre uma leve tendência para também ser alta, e vice-versa.


O terceiro mapa é o do PIB per capita (PPP):


Aqui, o coeficiente de correlação, no caso entre religiosidade e riqueza, fica negativo, em -0,50. Isso pode ser interpretado como uma correlação média entre as variáveis, mas com as duas se movendo em direções contrárias: onde a riqueza é alta a religiosidade tende a ser baixa, e vice-versa. Ah, sim: o coeficiente de correlação entre PIB e homicídio também é negativo, mas tem magnitude menor: -0,41.

O quarto e último mapa é o do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que além de levar em conta o PIB também inclui dados que buscam refletir a qualidade de vida, como educação e saúde:



Neste caso, a correlação entre o indicador e a religiosidade do povo é negativa e forte, com um coeficiente de -0,67. Em comparação, a correlação entre IDH e taxa de homicídio também é negativa, mas de fraca a média, ficando em -0,49.

O problema com correlações é que, na ausência de informações mais detalhadas sobre os elos causais, o máximo que se pode depreender delas é que indicam que A causa B, ou que B causa A, ou que a A e B são, ambos, manifestações de uma terceira variável hipotética, oculta na análise, C.

No caso concreto, pode ser que o baixo desenvolvimento humano estimule a religiosidade; que a religiosidade seja um obstáculo ao desenvolvimento humano; ou que religiosidade e baixo desenvolvimento sejam, os dois, fruto de uma série de condições ainda não especificadas.