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Mostrando postagens de Junho 19, 2011

Adeus, tenente Columbo

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Eu não ia postar nada neste feriado, mas a morte do ator Peter Falk, que durante décadas interpretou o tenente Columbo da polícia de Los Angeles na televisão -- primeiro no seriado dos anos 70, e depois uma longa série de especiais -- não podia passar em branco aqui no blog.

Sei que o chique é idolatrar seriados como Sienfeld ou Lost ou, entre os nacionalistas, a obra de Janete Clair ou Dias Gomes, mas para mim o ápice da arte de escrever para televisão foi atingido em Columbo. Existem três  temporadas do seriado disponíveis em DVD no Brasil, e esses são, provavelmente, os discos mais repassados no meu fiel aparelho.

(Quando eu estava na faculdade, irritava minha mãe ao insistir em voltar para São Paulo na tarde de domingo -- cedo demais, ela dizia, por que você não passa mais tempo com a família? A resposta era que o sinal da Record era muito ruim em Jundiaí, e eu não queria perder o episódio de Columbo.)

Mas, enfim, de que se trata? Columbo era um seriado policial inovador na medida…

WTF é Corpus Christi?

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Esta quinta-feira é feriado de Corpus Christi (ou "Porcos Tristes", para quem acompanha o futebol paulista), mas aposto que poucas pessoas sabem exatamente do que esse negócio se trata. Não é preciso ser um gênio para sacar que o nome em latim, Corpus Christi, significa "corpo de Cristo", mas e daí?

Bom, se você teve sua infância marcada pela experiência -- provavelmente não traumática, mas certamente tediosa -- de passar pela suíte católica catecismo-primeira comunhão, há-de lembrar-se de que "corpo de Cristo" é o que o padre (ou diácono, ou ministro) diz antes de oferecer a hóstia.

Então: "Corpus Christi" é uma festa católica criada para celebrar a instituição do sacramento da eucaristia -- o consumo do corpo e do sangue de Cristo sob a forma de pão e vinho -- . pelo próprio Jesus, durante a Última Ceia.

(A historicidade dos eventos relativos à Última Ceia é questionável, para dizer o mínimo. A primeira menção à instituição da eucaristia apar…

Pareto, Sturgeon, Campbell e a produção acadêmica

A ideia de que "metade da produção científica nacional é lixo", articulada por um pesquisador entrevistado em reportagem do Estadão que constata que o crescimento da academia brasileira em indicadores quantitativos -- número de mestres, de doutores, publicações -- não representou ganho comensurável de qualidade me trouxe à mente três "leis" mais ou menos empíricas: A Revelação de Sturgeon, o Princípio de Pareto e a Lei de Campbell.

(Confesso que tenho uma queda para máximas com nomes. É um vício principalmente estético-literário, suponho.)

Começando pela Revelação (às vezes chamada "Lei") de Sturgeon: a máxima, segundo diz a lenda, foi elaborada na década de 50 pelo escritor de ficção científica Theodore Sturgeon, cansado de ter de defender o gênero em que escrevia das acusações de ser um campo da literatura dominado por textos fracos, irrelevantes, cheios de clichês. Diz a Revelação: "90% de qualquer coisa é merda".

"Qualquer coisa", …

Pornografia gay excita homens homófobos

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Tremo em imaginar o que as palavras-chave no título desta postagem farão com a audiência deste blog, mas não dava para deixar de mencionar: um estudo publicado em 1996 pelo Journal of Abnormal Pyschology mostrou que homens homófobos sentem excitação sexual ao assistir a vídeos de pornografia gay.

Abaixo, traduzo o trecho principal do "abstract" (negrito por minha conta):

Os autores investigaram o papel da excitação homossexual em homens exclusivamente heterossexuais que admitiram sentimentos negativos em relação a indivíduos homossexuais. Participantes consistiram em um grupo de homens homófobos (n=35) e homens não-homófobos (n=29).
(...)
Os homens foram expostos a estímulos eróticos explícitos consistindo de vídeos heterossexuais, homossexuais femininos e homossexuais masculinos, e mudanças na circunferência do pênis foram monitoradas.
(...) 
Ambos os grupos exibiram aumento na circunferência peniana durante os vídeos heterossexuais e homossexuais femininos. Apenas os homens hom…

A falácia do ajuste fino

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Finalmente dei conta de terminar The Fallacy of Fine Tuning, do físico Victor Stenger, livro que, com o perdão do pleonasmo, "encara de frente" os argumentos de que as constantes e leis da Física parecem ter sido "escolhidas a dedo" para permitir a existência de vida inteligente baseada em carbono -- ou seja, nós.

Stenger é o representante das ciências exatas no time dos "novos ateus", o grupo de personalidades públicas do mundo de língua inglesa que resolveu deixar a clássica timidez do ateísmo filosófico de lado e partir para o ataque contra as religiões. Seu livro God: The Failed Hypothesis, que trata a questão da existência do tradicional Deus judaico-cristão-islâmico como uma hipótese científica (e termina por rejeitá-la) chegou à lista de best-sellers do New York Times.

Curiosamente, do grupo dos "novos ateus"  -- Dawkins, Hitchens, Dennett, Harris --, Stenger é o único que continua inédito no Brasil (ao menos, uma busca por seu nome na Li…