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Mostrando postagens de Março 13, 2011

Messenger em órbita!

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A sonda Messenger, da Nasa, entrou em órbita de Mercúrio na noite de ontem. Trata-se do primeiro objeto artificial a assumir uma órbita estável ao redor do menor planeta do Sistema Solar. Orbitar Mercúrio, a meros 46 milhões de quilômetros do Sol, é um desafio de desaceleração -- basicamente, a sonda precisa se livrar de toda a energia que ganhou ao mergulhar no fosso de gravidade do Sol.

(Para quem lê, ou lia, gibis da Marvel, parar na órbita de Mercúrio depois de fazer toda a trajetória na direção do Sol é mais ou menos como o Demolidor tentando se agarrar a um poste de luz depois de cair do alto do Empire State Building).

Por conta disso, a sonda vinha, desde 2007, realizando uma série de manobras na vizinhança de Mercúrio e do Sol para, basicamente, perder velocidade. Agora, em 2011, ela finalmente está voando devagar o suficiente para ficar aprisionada na órbita do planetinha. Antes da Messenger, Mercúrio só havia sido visitado por uma outra sonda, a Mariner 10, em 1975. A Marine…

Convite!

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E apresentando: o misoteísmo

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Como se já não bastasse toda a confusão terminológica entre ateísmo forte, ateísmo fraco, agnosticismo, deísmo, etc., eis que mais um termo chega à ribalta: misoteísmo. Os leitores de inclinação etimológica certamente já detectaram o prefixo grego "miso", que significa odiar, detestar, ter aversão a, como um misantropo, misógino, misógamo. No caso, então, o misoteu, ou misoteísta, é alguém que tem ódio ou aversão a Deus.

O termo aparece na edição mais recente da revista Free Inquiry -- que alguém com um bom senso de humor já definiu como a "Família Cristã dos ateus" -- que traz uma resenha de um livro chamado Hating God, de Bernard Schweizer. O livro tem como subtítulo The Untold History of Misotheism,  ou "A História Não Contada do Misoteísmo".

(O mesmo número traz um ótimo artigo de Christopher Hitchens sobre a polêmica em torno da posição do papa Bento XVI quanto ao uso da camisinha, desencadeada por um livro publicado na Alemanha, e uma entrevista co…

Uma versão matemática da 'fraude de Sokal'?

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Acho que todo mundo já ouviu falar do "Caso Sokal": em 1996, o físico Alan Sokal, devidamente emputecido com o uso irracional e desonesto de conceitos tirados da Física e da Matemática pela tchurma do pós-modernismo acadêmico, enviou à revista Social Text um artigo cientificamente construído para não fazer o menor sentido -- e viu-o ser publicado sem ressalvas.

(Sokal publicou uma avaliação atual do impacto de seu golpe ano passado, no livro Beyond the Hoax: Science, Philosophy and Culture. Quem quiser uma olhada divertida -- ou trágica -- no tipo de bobagem contra a qual le se insurgiu pode começar com Higher Superstition: The Academic Left and Its Quarrels with Science e seguir para Fashionable Nonsense: Postmodern Intellectuals' Abuse of Science
onde se encontra, entre outras coisas, a patética tentativa de Jacques Lacan de usar números imaginários como metáfora para sabe-se lá o quê.)

Bom, algo semelhante parece ter acontecido no mundo da matemática: de acordo com o …

O Kindle, eu e o livro no Brasil

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Hoje faz uma semana que recebi meu Kindle, o que significa que já posso andar por aí com uma biblioteca móvel de 72 livros (os títulos que já comprei compatíveis com o aparelho) debaixo do braço. A tecnologia de leitura eletrônica desenvolvida pela Amazon.com já foi devidamente elogiada (e criticada) em espaços com muito mais competência para fazê-lo do que este blog, mas a chegada do Kindle me fez refletir sobre uma questão que já me havia ocorrido lá por volta de 1997, quando comecei a frequentar o site da Amazon: por que as editoras brasileiras me ignoram?

Não estou reclamando (agora) do fato de me ignorarem como autor. Mas, sim, do fato de me ignorarem como leitor. Fazendo um pouco de história econômica pessoal, até o advento do cartão de crédito internacional eu, não importa o quão mequetrefe fosse o meu emprego, sempre ganhava mais do que conseguia gastar: nunca dirigi automóvel, não tive (nem tenho) filhos, minha vida noturna era (e continua) modestíssima. Quando me casei, em 2…

Na superfície de Encélado..

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Imagem feita pela sonda Cassini mostra detalhes da superfície gelada de Encélado, com os anéis de Saturno ao fundo. Dados levantados pela sonda nos últimos anos sugerem que Encélado pode ter grandes massas de água em estado líquido sob a superfície.

Matéria orgânica já foi  detectada nas plumas produzidas por gêiseres que irrompem do polo sul dessa lua, que tem 500 km de diâmetro e reflete de volta ao espaço praticamente 100% de toda a luz solar que recebe.

É mágica!

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Talvez o assunto que mais me fascina, ao lado da ciência, seja a mágica -- mágica profissional, feita no palco ou na cara do freguês em bares e restaurantes (a chamada "close-up magic") por artistas que exploram os "bugs" cognitivos do cérebro humano para encantar e divertir.

Mágica é um campo de estudo fascinante, principalmente para a psicologia -- Richard Wiseman já escreveu até um livro sobre o assunto -- e agora a PLoS ONE traz um artigo sobre a "pegada mágica", ou como os mágicos fazem para dar a impressão de que estão segurando alguma coisa, quando na verdade suas mãos estão vazias (sim, você acha que ele ainda está segurando a moeda, quando na verdade ela já foi parar no bolso do fraque).

O paper, intitulado The Magic Grasp: Motor Expertise in Deception (A Pegada do Mágico: Expertise Motora na Enganação) pode ser lido gratuitamente aqui. Entre as principais conclusões do trabalho estão que (a) a maioria de nós, não-mágicos, somos péssimos para fin…

Desastre no Japão e oportunismo antinuclear

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Há várias razões para questionar a opção pelo uso de energia nuclear -- para citar as duas que considero mais importantes, há o problema da destinação do lixo atômico e o do uso bélico da tecnologia -- mas o estado da instalação nuclear japonesa de Fukushima após o  terremoto-com-tsunami que atingiu o país não é uma delas, ao contrário do que algumas pessoas (incluindo gente que, por dever profissional, deveria saber melhor) andam dizendo.

Digo, se um meteorito gigante atingir a barragem de Itaipu e a inundação subsequente devastar Buenos Aires, isso será motivo para questionar a opção pela energia hidrelétrica? Quando um motorista sofre um ataque cardíaco ao volante, sobe na calçada e mata uma criança, isso nos leva a questionar a tecnologia do motor a explosão interna?

Quem aponta para Fukushima (que, tendo em vista a magnitude do tremor e do tsunami, está se aguentando muito bem, ao menos por enquanto) como sinal dos riscos da energia nuclear se esquece de que toda decisão humana i…